Jean Boubli, primatólogo e professor da Universidade de Salford, no Reino Unido. Representa a espécie de macaco que foi descoberta recentemente na área do bioma amazônico do Mato Grosso. Ele foi batizado de zogue-zogue de Alta Floresta. Esse pequeno primata, de cerca de 2 quilos, rabo preto, costas castanhas e barriguinha bem vermelha, mal foi descoberto e já corre o risco de ser extinto.
O ambiente onde ele vive está, segundo o professor é bastante fragmentado pelo desmatamento. O zogue-zogue foi achado durante uma expedição de Rogério Rossi, da Universidade Federal do Mato Grosso, que fazia um inventário das espécies da região. Como não é primatólogo, ele mostrou esse novo primata ao professor Jean Boubli que coletou.
A espécie é irmã dele do zogue-zogue do Pará, mas as análises genéticas mostraram que se separaram há mais de 1 milhão de anos. Ele vive em uma área de endemismo – como chamamos as regiões que possuem espécies que só existem naquele local – entre dois rios, o Teles Pires e o Juruena, que são as nascentes do Tapajós.
O fato de ele habitar uma área de endemismo era mais uma evidência de que estávamos diante de uma espécie única. A União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês), que criou o maior catálogo de conservação das espécies do mundo, a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, tem um critério que ajuda a prever o futuro de cada uma. É preciso estimar como vai estar o habitat em 3 gerações. No caso do zogue-zogue, calculamos que será em 2042.
De acordo com o primatólogo, uma projeção, com base na taxa de desmatamento atual, de que 86% do habitat dele será perdido nesses 20 anos se nada for mudado. Terá sumido quase tudo. Isso significa que ele está criticamente ameaçado de extinção.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) não aceitou que o zogue-zogue de Alta Floresta esteja criticamente ameaçado.





