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Mato Grosso tem o maior risco ocupacional combinado do país

Mato Grosso tem o maior risco ocupacional combinado do país

ACIDENTE DE TRABALHO

Mato Grosso tem o maior risco ocupacional combinado do país

Altas taxas é explicada pelo pelo perfil econômico, dominado pelo agro, transporte de commodities e construção civil

Com altas taxas de incidência de acidente de trabalho e de letalidade, Mato Grosso é o Estado com maior risco ocupacional combinado do Brasil. Essa dupla vulnerabilidade é explicada pelo perfil econômico mato-grossense, dominado por agronegócio, transporte de commodities e construção de infraestrutura.

É o que revela o estudo técnico divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho (28 de abril).

O levantamento traz um panorama de acidentes de trabalho no país entre 2016 e 2025, com base nas Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao eSocial.

De acordo com o estudo, Mato Grosso contabilizou 134.549 incidentes e 1.257 mortes, correspondendo a uma incidência (CAT) de 240,04 casos para cada 100 mil trabalhadores, e taxa de letalidade de 9,24 mortes para cada 1.000 ocorrências.

Ou seja, praticamente um em cada 100 acidentes registrados resulta em morte, o dobro da média nacional.

Em números absolutos, o Estado ocupa a 7ª colocação dentre as 10 unidades da Federação com maiores volumes de acidentes e óbitos no período.

São Paulo aparece na primeira posição, com 2.219.859 casos e 6.517 mortes, seguido de Minas Gerais (657.459; 3.269) e o Paraná (500.946; 2.653).

Já no ranking das maiores taxas CAT e de letalidade, Mato Grosso apresenta a terceira (240,04) e a segunda (9,24) posições, respectivamente. No país, foram 6,4 milhões de acidentes e 27.486 óbitos.

“Em dez anos, os trabalhadores brasileiros perderam mais de 106 milhões de dias de trabalho por acidentes.

Os dias debitados totalizam 248,8 milhões – cada um representando o impacto permanente de lesões graves e mortes”, traz o relatório.

Em relação ao setor econômico, as atividades hospitalares lideram em volume, com 500.032 acidentes na década.

Após, vêm supermercados (204.277), seguidos da administração pública em geral (177.078), transporte rodoviário de carga intermunicipal/interestadual (143.367), atendimento em pronto-socorro ou urgências (133.446) e da construção civil (122.455).

Os óbitos apresentam um perfil diferente do de acidentes, evidenciando que volume de notificação e mortalidade não são fenômenos correlatos.

O transporte rodoviário lidera de forma isolada, com 2.601 vítimas fatais. Em seguida vem a construção civil (820) e a administração pública (596).

E, entre as ocupações, os técnicos de enfermagem registram o maior número de acidentes, enquanto os motoristas de caminhão concentram o maior número de mortes, foram 4.249 óbitos em dez anos, média superior a uma por dia.

“O estudo também evidencia a diversidade de riscos no mercado de trabalho, incluindo fatores como acidentes de trajeto e violência em determinadas atividades, como vigilância”, aponta.

Para o MTE, os dados evidenciam a necessidade de fortalecer as políticas de prevenção e melhorar as condições de trabalho.

“Os números mostram que o país tem ampliado a capacidade de registrar e compreender os acidentes, o que é fundamental para orientar políticas mais eficazes. Ao mesmo tempo, reforçam a necessidade de aprimorar continuamente as condições de trabalho e fortalecer a prevenção para reduzir riscos e preservar vidas”, afirmou o diretor de Segurança e Saúde no Trabalho do MTE, Alexandre Scarpelli.

Fonte: Joanice de Deus - Diário de Cuiabá

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