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Família acolhedora: casal de Alta Floresta conta como está sendo a experiência de acolher duas crianças

Família acolhedora: casal de Alta Floresta conta como está sendo a experiência de acolher duas crianças

Família acolhedora: casal de Alta Floresta conta como está sendo a experiência de acolher duas crianças

O sonho de um casal é ter filhos e constituir uma família. E, quando esse casal tem a possibilidade de ter filhos e ainda acolher crianças e jovens em situação de vulnerabilidade? Para alguns essa acolhida pode ser considerada loucura. Para outros é um gesto de amor. O casal Valdeir Padilha, 45, e Claudete Amaral Pinto Padilha, 40, são exemplos de pessoas que levaram a palavra amor a um novo nível.

O casal ingressou no serviço Família Acolhedora há dois anos. Claudete explica como foi esse processo inicial. “Foi através do meu irmão. Nunca tinha ouvido falar e surgiu essa ideia. A partir desse momento veio a primeira pergunta: Como fazer para participar?”, explica.

Apesar do interesse inicial, Claudete acreditava que o marido não aceitaria. “Foi algo de Deus mesmo, pois não esperava que ele fosse aceitar, mas ele aceitou”, comemora. Claudete explica que, conforme ela ia passando as informações para o marido, em algum momento viria um “não” como resposta, porém, ao ver o entusiasmo e interesse da mulher, Valdeir não colocou empecilhos.

“Quando eu falei que teria que fazer um curso, logo imaginei que ele não aceitaria, mas, para minha surpresa, ele concordou”, lembra ela. Claudete explica que participar da Família Acolhedora foi uma decisão assertada. A família tinha como objetivo adotar uma criança, mas viu no serviço Família Acolhedora uma oportunidade de ir além da adoção.

“Tínhamos a vontade de adotar uma criança, mas vimos que poderíamos ajudar muito através do Família Acolhedora”, explica. Embora fizesse parte dos planos o ingresso nesse serviço, o casal tinha o desejo de envolver a todos, foi quando decidiram conversar com seus três filhos. “Eles entenderam o nosso desejo e nos apoiaram”.

Ao longo desses dois anos, o casal já acolheu um adolescente e um bebê. “Foram experiências diferentes, porém, ambas foram gratificantes”. Quando questionado se o casal já foi taxado de “louco”, de forma humorada eles dizem que sim. “Quando sabem que estamos no Família Acolhedora, alguns dizem que somos loucos. Perguntam porque nós fazemos isso. A melhor resposta é acolher as crianças e dar muito amor e carinho”, disse.

Eles explicam que tem ciência de todo o processo. Sabem que irão receber uma criança e que essa criança ou adolescente em algum momento irá partir. Eles explicam que, quando outras pessoas ficam sabendo de sua participação no Família Acolhedora, surgem muitas perguntas. “As pessoas perguntam como é? Se estão arrependidos? Se vale a pena? Nossa resposta é sempre a mesma: vale e muito!”

Outro fator que é determinante para o bom andamento do Serviço Família Acolhedora, diz respeito aos profissionais envolvidos. “A equipe é muito boa. Em tudo que precisamos elas nos dão suporte. Não temos do que reclamar”. Segundo o casal, existe todo um respaldo para essa participação.

Para ingressar no Família Acolhedora, o casal precisa estar disposto a dar amor e carinho para o jovem ou criança que foi acolhida. “Somos uma família simples, que mora no sítio. Aqui não tem luxo, mas tem amor, carinho e respeito”, diz Claudete.

Você pode estar se perguntando: e como são as datas comemorativas? Para a família Amaral, esse momento ganhou um novo significado: “Passamos o Natal na casa da minha cunhada. A convivência entre a família e as crianças que acolhemos é ótima. Não tem diferença de tratamento. Prevalece o sentimento de acolhida”.

Até o momento a família acolheu um adolescente e um bebê recém-nascido. “Nossa família recebeu muito bem. A satisfação em poder ajuda é muito grande”, explica o casal. Segundo Valdeir e Claudete, apesar de ser um lar temporário, naquele momento eles são um porto seguro para aquela criança.

O primeiro acolhimento para o João (nome fictício). Embora em um primeiro momento houve resistência do adolescente – até por conta da sua idade – , foi questão de tempo para que João percebesse que teria muito amor e carinho do casal. “No início ele ficou um pouco retraído, mas sempre oferecemos o nosso melhor e aos poucos ele quebrou essa resistência. Teve um dia, que, inclusive, ele buscou nossos conselhos e isso nos marcou”, disse.

 No caso do bebê João Paulo (nome fictício), foi outro momento de aprendizado. “Recebemos ele com dois dias de nascido. Depois de nove meses de convivência ele está indo embora. Foram nove meses de muito amor e carinho. É um bebê esperto, saudável e que cativa a todos”, argumenta.

Diante dos aprendizados e ensinamentos ao longo desses dois anos, segundo a família não há arrependimento. Na verdade, o sentimento é de gratidão. “Não fiquem com medo. Podem abraçar o Família Acolhedora e dar o seu melhor. Só o amor que recebemos faz tudo valer a pena. Quando outras crianças vierem, também vamos receber com todo o carinho”, afirma.

Importante lembrar que durante todo o processo de acolhida podem acontecer encontros entre a família biológica e a criança que foi acolhida. Todo esse processo é acompanhado pela equipe técnica. Durante a acolhida busca-se proporcionar uma rotina normal para a criança ou adolescente.

Também é importante lembrar que existe toda uma rede de atenção que acompanha o trabalho do Serviço Família Acolhedora. Além da Prefeitura de Alta Floresta, através da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania, o Tribunal de Justiça, Ministério Público, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente (CMDCA), também acompanham e dão apoio sempre que necessário.

Para mais informações os interessados podem manter contato com a equipe técnica da Família Acolhedora por meio do telefone (66) 3521-4215, ou ainda no e-mail: familiaacolhedoraaf@hotmail.com. Também é possível informações na Secretaria Municipal de Assistência Social, através do telefone (66) 3512-3119.  

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