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Greve chega a 60 dias e estudantes se preocupam com preparação para o Enem

Greve chega a 60 dias e estudantes se preocupam com preparação para o Enem

Greve chega a 60 dias e estudantes se preocupam com preparação para o Enem

Sem aulas há 60 dias, pais e estudantes estão preocupados com as consequências que a greve dos professores da rede pública de ensino de Mato Grosso pode trazer a médio e  longo prazo. As incertezas vão desde a reposição das aulas perdidas até a preparação para enfrentar, ainda neste ano, a seleção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), além de vestibulares para cursos técnicos.

Conforme dados no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (Inep), 180.761 mil alunos de escolas públicas do Estado se inscreveram para realizar a prova do Enem de 2016 nos dias 5 e 6 de novembro. Destes, 52.904 mil são de Cuiabá.“Não sinto que eu poderia concorrer de igual para igual com alguém que não passou pela greve quando for fazer algum seletivo, como é o Enem para o qual estou me preparando”, disse o estudante, Tariki Matheus Silva Marques, 16.

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Tariki conta que este ano precisou mudar toda a rotina para que consiga se sair bem na prova nacional. Para isso tem feito curso pré-vestibular à noite e estava estudando de manhã, para reforçar o aprendizado, porém, com a greve, acredita que apenas as aulas noturnas não serão suficientes. “Eu estou fazendo o cursinho, mas tem amigos que não têm condições e estão buscando alternativas para estudar. Alguns estão estudando sozinhos outros participam de grupos de estudo”, conta.

Além dos prejuízos quando a cumprimento do conteúdo previsto para o ano, o jovem cita também os prejuízos a programação de férias e fins de semana. “Estava planejada uma viagem com a família, mas agora vamos ter que reprogramar. Além disso há muitas atividades que minha religião realiza aos sábados que também não vou poder participar”, lamenta o jovem.

Mas não são só os alunos que vão fazer o Enem que estão perdendo o sono por conta da falta de aulas. Estudantes do ensino fundamental também temem os prejuízos quando a reposição de aulas, pois acreditam que o conteúdo pode ser compactado e ter prejuízos quanto ao repasse das matérias. “Os alunos e os pais terão que se reprogramar para as férias e para as folgas também. Além disso acho muito injusta a concorrência entre alunos que passaram por greve e os que tiveram aula normal  na hora de tentar algum processo seletivo”, disse Jocicleide Maria Arruda, que tem duas filhas matriculadas em escola estadual, uma delas no sexto e outra no nono ano. “Minha filha já tinha falado com os professores para que a ajudassem porque quer fazer o seletivo para entrar no IFMT, mas agora todos os planos mudaram”, ressalta.

A greve do professores caminha para a superar a maior greve da história do Estado, que ocorreu em 2013 e contou com 67 dias fora das salas de aula. Na época os profissionais brigavam pela revisão salarial estabelecida na Lei nº 510/2013.

Este ano, o movimento paredista tem uma pauta de reinvindicações com mais itens que contemplam a suspensão do projeto de implementação de Parceria. Público-Privadas (PPP) para construção e manutenção de escolas, bem como o cumprimento da Lei nº 510/2013, referente a recomposição do poder de compra da remuneração dos servidores e a realização de concursos em todas as áreas da educação.

As solicitações foram parcialmente atendidas, entretanto a categoria deve definir nesta segunda-feira (1) os próximos passos do movimento. Conforme o presidente do Sindicato dos Profissionais da Educação Pública (Sintep), o foco agora é na greve e na busca de alternativas para que as reivindicações da classe sejam atendidas. Somente depois que os profissionais retornarem para as salas de aula é que será pensando nas alternativas de reposição e aulas.

“O ano civil não tem vínculo com o ano letivo. O ano civil tem 365 dias e o ano letivo tem 200 dais, totalizando 800 horas. A função da escola não é educar para o Enem, é educar para a vida. O Enem é apenas uma prova”, afirmou o sindicalista.

Nesta sexta-feira (29) o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que os professores retornassem para as salas de aula ainda na segunda-feira (1), porém o presidente do Sintep relatou que o movimento paredista nunca se pautou por decisões judiciais e que vai buscar recursos.

Por: JESSICA BACHEGA/ HiperNoticias

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