Uma fiscalização surpresa realizada pelo prefeito de Barreiros, Carlos Artur Soares de Avelar, conhecido como Carlinhos da Pedreira (PP), terminou em discussão e expulsão de dois médicos do Hospital Municipal Jailton Messias de Souza Albuquerque, na noite de quarta-feira (4), na Zona da Mata Sul de Pernambuco. O episódio foi filmado e ganhou repercussão nas redes sociais.
Nas imagens, o prefeito aparece entrando em uma sala onde estavam os dois profissionais e os acusa de dormir e namorar enquanto pacientes aguardavam atendimento na emergência. Aos gritos, ele manda os médicos deixarem o hospital e chega a chamá-los de “vagabundos”.
Segundo o próprio prefeito, a fiscalização ocorreu após ele chegar do Recife, por volta das 22h. Ao perceber a recepção lotada, teria sido informado de que havia três médicos na unidade, mas apenas um estava realizando atendimentos. Ele então decidiu percorrer o hospital e procurar os demais profissionais.
Em outro vídeo, publicado nas redes sociais, Carlinhos afirmou que encontrou os dois médicos no mesmo quarto, dormindo, e decidiu demiti-los imediatamente, alegando negligência e falta de assistência à população.
O caso provocou reação de entidades representativas da categoria. O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) repudiou a exposição pública dos plantonistas e afirmou que eventuais questionamentos sobre escalas, atendimento e funcionamento dos serviços de saúde devem ser tratados pelos meios institucionais e legais, sem constrangimento dos profissionais.
O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) também criticou a abordagem do prefeito. A entidade afirmou que a presença de uma médica e um médico em um ambiente de repouso não autoriza insinuações sobre a vida íntima dos profissionais e que as imagens divulgadas não comprovam o comportamento sugerido pelo gestor.
O sindicato acrescentou que recebeu relatos de que os médicos estavam em período de descanso após intensa atividade assistencial nas primeiras 12 horas de plantão, enquanto um terceiro profissional permanecia nos atendimentos. A entidade ressaltou que o repouso durante o plantão não representa, por si só, abandono do serviço, desde que haja continuidade da assistência.
Após o episódio, a Prefeitura de Barreiros anunciou a rescisão do contrato de gestão com a Associação João Paulo II, responsável pela administração do hospital desde 2024.
Em nota, a administração municipal informou que a Secretaria de Saúde reassumirá temporariamente a gestão administrativa, operacional e assistencial da unidade. A prefeitura também comunicou que iniciou o processo licitatório para contratação de uma nova organização e afirmou que a prioridade é garantir a continuidade dos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A Associação João Paulo II foi procurada para comentar a fiscalização e o encerramento do contrato, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem. As informações é do G1 Pernambuco





