Alta Floresta abriga uma rica biodiversidade mesmo em áreas de floresta próximas à zona urbana. Entre as espécies encontradas no município está o zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi), primata classificado como Criticamente em Perigo e considerado um dos principais símbolos da biodiversidade local.
A proteção da fauna é uma das frentes do programa Alta Floresta Não Atropela, desenvolvido pela Prefeitura em parceria com instituições de pesquisa, empresas e organizações ambientais.
Além do zogue-zogue, outros cinco primatas são encontrados nos fragmentos florestais da região: macaco-aranha-de-cara-preta, sauim-de-Schneider, bugio-ruivo-do-rio-Purus, macaco-prego e macaco-da-noite.
Quatro dessas espécies estão classificadas em alguma categoria de ameaça global. O macaco-aranha-de-cara-preta e o sauim-de-Schneider estão na categoria Em Perigo, enquanto o bugio-ruivo-do-rio-Purus é considerado Vulnerável.
Pontes ajudam na travessia da fauna
Com a expansão urbana e a abertura de novas vias, os fragmentos florestais podem ficar isolados, dificultando o deslocamento dos animais entre diferentes áreas. Para os primatas arborícolas, essa fragmentação aumenta riscos como atropelamentos e choques elétricos.
As pontes de dossel instaladas pelo programa funcionam como corredores para permitir que os animais atravessem de forma mais segura.
Desde outubro de 2024, quando foram instaladas as primeiras sete estruturas, câmeras de monitoramento registraram quase 15 mil travessias de animais silvestres. As seis espécies de primatas encontradas na região já foram registradas utilizando as pontes.
Segundo o programa, desde a implantação das primeiras estruturas não foram registrados novos atropelamentos de primatas nas áreas diretamente contempladas pelas pontes.
Para Vitória Da Riva, da Fundação Ecológica Cristalino, o registro do zogue-zogue utilizando as estruturas reforça a importância da iniciativa.
“Ver o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, uma espécie que existe apenas na nossa região e que se tornou um símbolo da cidade, utilizando as pontes de dossel é algo emocionante”, destacou.
Sinalização e conscientização
Além das pontes, Alta Floresta instalou 40 placas especiais de sinalização de travessia de fauna, utilizando silhuetas de animais encontrados na região, principalmente primatas.
O município também mantém um outdoor em um ponto estratégico da cidade, onde a população pode acompanhar a contagem das travessias registradas nas pontes.
Para a secretária municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Gercilene Meira Leite, as ações colocam o município em posição de destaque na conservação da fauna amazônica.
“O Reconecta e o Programa Alta Floresta Não Atropela transformaram Alta Floresta em uma referência para a conservação da fauna em áreas urbanas da Amazônia”, afirmou.
Mais pontes
A rede de proteção à fauna será ampliada com a instalação de mais oito pontes de dossel em agosto.
As ações integram iniciativas de conservação que envolvem estruturas de travessia, monitoramento, pesquisa e educação ambiental, buscando manter conectados os fragmentos florestais e reduzir os riscos para a fauna que vive no entorno de Alta Floresta.





