Alta Floresta dará mais um importante passo na preservação da fauna amazônica com a instalação de oito novas pontes de dossel, estruturas suspensas que permitem a travessia segura de animais arborícolas entre fragmentos de floresta. A segunda etapa do programa Alta Floresta Não Atropela será realizada entre os dias 3 e 20 de agosto e elevará para 15 o número de pontes instaladas no município.
Coordenada pelo Projeto Reconecta, em parceria com a Prefeitura de Alta Floresta, Energisa, Fundação Ecológica Cristalino, Fazenda Anacã e outras instituições, a iniciativa busca reduzir atropelamentos e minimizar os impactos da expansão urbana sobre a biodiversidade local.
Desde a implantação das primeiras sete pontes, em outubro de 2024, o monitoramento por câmeras registrou quase 15 mil travessias de animais silvestres em apenas 15 meses. Seis espécies de primatas já utilizaram as estruturas, incluindo espécies ameaçadas de extinção.
Outro dado considerado expressivo pelos coordenadores do projeto é que não houve registro de atropelamento de primatas nas áreas diretamente atendidas pelas pontes desde a instalação das estruturas.
Segundo a bióloga Fernanda Abra, coordenadora do Projeto Reconecta, os resultados comprovam a eficiência da iniciativa.
“As pontes deixaram de ser uma experiência para se tornarem uma solução efetiva. Elas são utilizadas diariamente pelos animais e demonstram que é possível conciliar desenvolvimento urbano, segurança viária e conservação da biodiversidade”, destacou.
Novas estruturas
As oito novas pontes serão instaladas em pontos considerados estratégicos para a circulação da fauna:
- quatro na Avenida Teles Pires;
- duas na Rua Raimundo Carlos de Figueiredo;
- uma na Avenida Jaime Veríssimo de Campos;
- uma na Avenida Mato Grosso.
As estruturas utilizam um sistema conhecido como “3 em 1”, formado por diferentes tipos de cabos e cordas que atendem às diversas formas de locomoção dos primatas e de outros animais arborícolas.
Outra novidade será a participação da Energisa, que fará o rebaixamento e o isolamento da rede elétrica em dez pontos próximos às travessias para reduzir o risco de choques elétricos.
Cidade abriga espécies ameaçadas
Alta Floresta possui uma das maiores diversidades de primatas em áreas urbanas da Amazônia, com seis espécies registradas. Quatro delas estão ameaçadas de extinção, entre elas o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, espécie descoberta pela ciência em 2019 e considerada Criticamente em Perigo, além de ser o animal símbolo do município.
Para a Fundação Ecológica Cristalino, ver a espécie utilizando as pontes representa uma importante conquista para a conservação.
Referência para o Brasil
O modelo de ponte desenvolvido pelo Projeto Reconecta passou a integrar as orientações técnicas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para mitigação de impactos da fauna em rodovias federais, tornando Alta Floresta referência nacional na adoção dessa tecnologia.
Além das pontes, o programa também desenvolve ações de educação ambiental, sinalização de travessia de fauna, monitoramento constante e pesquisas científicas. Entre elas está o primeiro censo de primatas da área urbana de Alta Floresta, que será realizado por pesquisadores do Projeto Reconecta, da UNEMAT e da Universidade Federal de Viçosa.
Lançamento oficial
O lançamento da segunda etapa do programa Alta Floresta Não Atropela acontecerá no dia 10 de agosto, às 19h, no Teatro da Praça do Avião. O evento reunirá representantes do poder público, pesquisadores, instituições parceiras e a comunidade para apresentar os resultados alcançados e as novas ações voltadas à preservação da fauna silvestre no município.




