A democracia precisa de fiscalização. Aliás, ela depende dela. O vereador foi eleito justamente para acompanhar os atos do Executivo, cobrar explicações, analisar contratos, questionar gastos públicos e representar os interesses da população. Ninguém discute isso.
O problema começa quando a fiscalização deixa de ser instrumento de controle e passa a ser transformada em espetáculo.
Nos últimos meses, Alta Floresta tem assistido a um modelo de atuação política cada vez mais pautado pelas redes sociais. Vídeos gravados em repartições públicas, transmissões ao vivo de fiscalizações, confrontos públicos e discussões que rapidamente ganham as plataformas digitais passaram a ocupar espaço central no debate político local.
A questão não é a divulgação dos atos parlamentares. Pelo contrário. Transparência é importante. O cidadão tem o direito de acompanhar o trabalho dos seus representantes. O problema está na forma.
Quando o objetivo principal deixa de ser buscar respostas e passa a ser produzir conteúdo para gerar repercussão, o debate público perde qualidade. A política vira entretenimento. O diálogo dá lugar ao confronto. A solução perde espaço para a narrativa.
Alta Floresta é uma cidade reconhecida nacionalmente pelo potencial econômico, pelo turismo, pela produção agropecuária e pela capacidade de atrair investimentos. Entretanto, quem observa os acontecimentos recentes pelas redes sociais pode ter a impressão de uma cidade permanentemente em conflito, onde autoridades trocam acusações e divergências administrativas se transformam em disputas públicas.
É preciso lembrar que prefeito, vereadores, secretários e servidores ocupam funções diferentes, mas trabalham para a mesma população. Não são adversários em uma arena. São agentes públicos que deveriam compartilhar o mesmo objetivo: resolver problemas.
Isso não significa ausência de críticas. A oposição é necessária. A cobrança é necessária. O questionamento é necessário. O que não contribui é a substituição do diálogo pelo constrangimento público, da análise técnica pelo achismo, da busca por documentos pela busca por repercussão.
Da mesma forma, o Executivo também precisa compreender que fiscalizações fazem parte do processo democrático e que responder com transparência fortalece as instituições.
A população espera firmeza dos seus representantes, mas também espera equilíbrio. Espera fiscalização, mas espera respeito. Espera debate, mas espera maturidade.
Quando a política passa a ser movida apenas pelo barulho, todos perdem. Perde a administração pública, perde o Legislativo, perde a imagem do município e, principalmente, perde o cidadão que aguarda soluções concretas para os problemas da cidade.
Alta Floresta merece uma política que produza resultados maiores do que as manchetes e mais duradouros do que os vídeos que viralizam nas redes sociais.





