A Amaggi avançou em mais um movimento estratégico no agronegócio brasileiro ao fechar um acordo para adquirir 40% da FS Bioenergia, uma das maiores produtoras de etanol de milho do país. A negociação, estimada em cerca de US$ 1 bilhão — aproximadamente R$ 5 bilhões — ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A operação marca oficialmente a entrada da empresa ligada à família Maggi no segmento de etanol de milho, setor que vem registrando forte expansão nos últimos anos, especialmente em Mato Grosso.
Segundo informações divulgadas pelo Brazil Journal, o acordo prevê um aporte inicial de US$ 100 milhões, além de pagamentos adicionais programados em parcelas anuais após a conclusão da negociação.
O negócio aproxima duas gigantes com atuação consolidada no estado. Enquanto a Amaggi é referência nacional em originação de grãos, logística e energia, a FS Bioenergia se consolidou como uma das líderes na produção de biocombustível a partir do milho.
“Estou confiante no que estamos construindo juntos, especialmente no alinhamento de valores, na visão de longo prazo e na capacidade de execução”, afirmou Blairo Maggi ao Brazil Journal.
Fundada em 2017, a FS Bioenergia atualmente processa mais de 6 milhões de toneladas de milho por safra e produz cerca de 2,6 bilhões de litros de etanol por ano. Em 2025, a companhia registrou receita líquida de R$ 12,8 bilhões.
A entrada da Amaggi ocorre após o encerramento das negociações da empresa com a Inpasa para criação de uma joint venture voltada à implantação de novas usinas em Mato Grosso. O projeto previa investimentos bilionários, mas acabou não avançando devido a divergências relacionadas à gestão e governança.
Conforme a publicação, a FS buscava um novo parceiro estratégico diante de um endividamento estimado em cerca de R$ 10 bilhões. A empresa chegou a negociar participação com a Petrobras no ano passado, mas a operação não foi aprovada pelo conselho da estatal.
Controlada pelo grupo norte-americano Summit Agricultural Group, a FS opera atualmente três usinas de etanol de milho no Brasil e prevê inaugurar uma quarta unidade ainda em 2026.
Além da produção de biocombustíveis, a empresa também vem investindo em projetos ambientais. Uma nova unidade de captura e armazenamento de carbono será inaugurada em Lucas do Rio Verde, com capacidade para armazenar mais de 423 mil toneladas de carbono por ano.





