Com suspeita de dengue, uma paciente, 41 anos, morreu após buscar atendimento em na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Tijucal, em Cuiabá. Sem equipamentos adequados para casos de urgência, a unidade acionou o Serviço Móvel de Urgência (Samu), que transferiu a paciente para o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Mas, ela não resistiu.
Para o Conselho Regional de Medicina (CRM-MT), o desfecho poderia ter sido outro caso a vítima tivesse procurado uma unidade com a estrutura adequada para assistência de urgência e emergência. Na semana passada, o prefeito Abílio Brunini (PL) assinou decreto de estado de emergência na Saúde, que prevê a suspensão dos agendamentos de consultas nas UBS, priorizando o atendimento de demandas espontâneas devido ao aumento do número de casos de arboviroses.
Conforme informações do CRM, no dia 23 deste mês, a paciente procurou a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Pascoal Ramos, onde foi medicada e, como não apresentava sintomas graves, retornou para casa. No dia seguinte (24), a mulher passou mal e, seguindo orientações da Prefeitura da Capital, procurou a UBs do Tijucal. Lá, o médico verificou que a usuária estava com a pressão muito baixa e fez uma hidratação venosa na paciente. Após 15 minutos, o quadro dela se agravou.
“O médico viu que a situação estava muito grave, lá na unidade básica, como temos alertado, não tem a estrutura necessária, não tem monitor, não oxigênio e, os médicos preocupados com essas orientações (da Prefeitura) e, com esses pacientes que estão vindo em grande quantidade nas unidades básicas já estão comprando oxímetros (simples) na farmácia para levar (para UBSs). O médico colocou o oxímetro nessa paciente e viu que ela estava com oxigenação muito baixa chamando imediatamente o Samu”, relatou o presidente do CRM-MT, Diogo Sampaio.
A paciente, então, foi levada para o Hospital Municipal da Capital, o HMC, onde veio à óbito na manhã do sábado (25). Após receber a denúncia, o CRM-MT fez uma fiscalização na UBSs do Tijucal e constatou uma situação caótica no local, além de sobrecarga de atendimento bem como casos de ameaças aos profissionais.
Segundo Sampaio, atualmente, 98% dos pacientes que têm buscado a unidade são casos de urgência. Além de alertar a Secretaria Municipal de Saúde, o CRM-MT informou que já comunicou o Ministério Público do Estado sobre a situação. Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura ainda não havia se posicionado sobre o assunto.
DADOS – Até ontem (31), Mato Grosso contabilizava 7.348 casos prováveis de dengue e investigava quatro mortes decorrentes da doença, sendo um deles na Capital, conforme dados do painel de monitoramento do Ministério da Saúde. Em relação à chikungunya, são 4.927 casos e seis óbitos, sendo que quatro ocorreram em Cuiabá. Dos quatro, três ainda estão em investigação e um confirmado.





