Uma audiência de conciliação marcada para esta quarta-feira (10) no Supremo Tribunal Federal (STF) pode representar um novo capítulo na disputa envolvendo áreas localizadas na divisa entre Mato Grosso e Pará. O encontro busca discutir os efeitos práticos da decisão que definiu os limites territoriais entre os dois estados, especialmente sobre comunidades que continuam dependentes da estrutura pública mantida por municípios mato-grossenses.
Embora a questão territorial tenha sido decidida pelo STF em 2022, gestores municipais e representantes políticos afirmam que a aplicação da decisão tem gerado desafios para moradores que vivem em regiões oficialmente pertencentes ao Pará, mas que historicamente recebem atendimento em saúde, educação, transporte escolar e infraestrutura por cidades de Mato Grosso.
O tema ganhou destaque porque afeta diretamente municípios da região norte do estado, entre eles Paranaíta e Alta Floresta, que há décadas prestam assistência a famílias residentes na faixa de fronteira entre os estados.
Um dos casos mais complexos envolve comunidades ligadas ao município paraense de Jacareacanga. Em muitos locais, o acesso à sede municipal é difícil e pode exigir longos deslocamentos, enquanto os serviços mais próximos estão em municípios mato-grossenses. Na prática, moradores dependem de escolas, unidades de saúde, estradas e outros atendimentos mantidos por prefeituras de Mato Grosso.
Prefeitos da região defendem que a audiência resulte em uma solução que permita a continuidade dos serviços sem que os gestores municipais enfrentem questionamentos jurídicos ou prejuízos financeiros. A preocupação é garantir respaldo legal para manter o atendimento à população enquanto se busca uma definição definitiva para o custeio desses serviços.
O prefeito de Paranaíta, Osmar Moreira, tem defendido que o município recebe uma demanda significativa de moradores da área em disputa e argumenta que os custos vêm sendo absorvidos pelos cofres municipais há anos. Segundo ele, além da assistência em saúde e educação, a prefeitura também atua na manutenção de estradas e em outras demandas essenciais dessas comunidades.
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso acompanha as discussões e sustenta que o foco principal deve ser a garantia dos direitos da população afetada pela definição territorial. O entendimento é que a questão ultrapassa os limites geográficos e envolve o acesso de centenas de moradores a serviços básicos.
A audiência no STF deverá reunir representantes dos estados, municípios e demais partes envolvidas na controvérsia. A expectativa é que o encontro avance na construção de um entendimento que preserve a continuidade do atendimento às comunidades enquanto são discutidas soluções administrativas e jurídicas para a região.





