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MT tem quase 100 golpes/dia e é um dos líderes em fraude digital

MT tem quase 100 golpes/dia e é um dos líderes em fraude digital

SEGURANÇA NAS REDES

MT tem quase 100 golpes/dia e é um dos líderes em fraude digital

Enquanto roubos caem nas ruas, estelionatos avançam 14,4%. Estado entre os que mais registram crimes na internet

A redução dos roubos e furtos em Mato Grosso não significou diminuição da criminalidade patrimonial. Pelo contrário. Os criminosos mudaram de estratégia e passaram a agir cada vez mais por meio da internet e de aplicativos de mensagens.  Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram que o Estado registrou 35.926 ocorrências de estelionato em 2025, contra 31.402 no ano anterior – um crescimento de 14,4%.

A média foi de 98 golpes por dia, colocando Mato Grosso entre os estados com maior incidência desse tipo de crime no país. A taxa estadual alcançou 922,7 estelionatos por 100 mil habitantes, a 9ª maior do Brasil, evidenciando que os golpes passaram a ocupar espaço antes dominado pelos crimes patrimoniais cometidos com violência.

O avanço é ainda mais expressivo quando se observam as fraudes praticadas por meios eletrônicos. Dos quase 36 mil estelionatos registrados no Estado, 23.120 ocorreram pela internet, por aplicativos de mensagens, redes sociais, plataformas digitais ou sistemas bancários eletrônicos.

Em relação a 2024, quando foram contabilizados 21.328 casos, o aumento foi de 8,4%. A taxa estadual chegou a 593,8 golpes eletrônicos por 100 mil habitantes, a quarta maior entre os estados que informaram esse indicador, atrás apenas de Santa Catarina, Distrito Federal e Rondônia.

Os números revelam uma transformação no perfil da criminalidade patrimonial em Mato Grosso. Enquanto roubos a pedestres, comércios, veículos e celulares apresentaram forte redução ao longo do último ano, os golpes aplicados sem contato físico entre criminoso e vítima continuam crescendo.

Especialistas apontam que a popularização do Pix, a ampliação do comércio eletrônico, o uso intenso das redes sociais e o aumento das tentativas de engenharia social favoreceram esse movimento.

Os criminosos passaram a investir em falsas centrais bancárias, clonagem de aplicativos de mensagens, vendas fictícias, invasão de contas, boletos falsificados e perfis fraudulentos.

Outro fator que contribui para o aumento das ocorrências é a dificuldade de investigação.

Muitas quadrilhas atuam de forma interestadual, utilizam contas de “laranjas” e movimentam recursos rapidamente, dificultando o rastreamento e a recuperação dos valores.

O Anuário reforça que o crescimento dos estelionatos representa uma mudança importante na dinâmica da segurança pública brasileira.

Se antes o maior risco estava nas ruas, hoje boa parte da criminalidade patrimonial migrou para o ambiente digital.

Para especialistas, a tendência exige investimentos crescentes em inteligência policial, perícia digital, educação financeira e campanhas permanentes de prevenção para reduzir o número de vítimas.

Fonte: Joanice de Deus - Diário de Cuiabá

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