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Lista de “inimigos” em Alta Floresta: quem ganha quando o voto vira motivo de perseguição?

Lista de “inimigos” em Alta Floresta: quem ganha quando o voto vira motivo de perseguição?

Lista Vermelha do PT

Lista de “inimigos” em Alta Floresta: quem ganha quando o voto vira motivo de perseguição?

Mensagem intitulada “Lista Vermelha do PT” cita comerciantes, prestadores de serviços e pessoas ligadas a diferentes atividades, sem comprovar vínculo partidário dos nomes relacionados.

Circula em grupos de WhatsApp de Alta Floresta uma mensagem intitulada “Lista Vermelha do PT”, com mais de 40 nomes de pessoas e negócios apontados como ligados ao partido. Não há autoria identificada nem qualquer comprovação de que os citados sejam, de fato, petistas. A mensagem já foi encaminhada muitas vezes.

Na lista há donos de comércio, prestadores de serviço, trabalhadores autônomos, um profissional de saúde e nomes apresentados como secretários municipais. Gente que atende o público todos os dias, de qualquer partido ou de nenhum.

O que uma lista dessas pede, na prática, é que o cidadão deixe de comprar, de contratar e de conviver com quem votou diferente. Não é debate político: é pressão econômica sobre a vida de quem trabalha.

Casos semelhantes já foram registrados em outras regiões do país. Em 2022, listas com nomes de comerciantes associados a posições políticas circularam em municípios do interior, gerando questionamentos e apurações. Em situações como essas, a identificação equivocada de pessoas pode provocar danos à reputação e aos negócios, mesmo quando não há comprovação de envolvimento político.

A Constituição Federal assegura a liberdade de consciência e de convicção política, além do sigilo do voto. A legislação eleitoral também prevê punições para determinadas condutas de coação relacionadas às escolhas eleitorais. A eventual aplicação dessas normas ao caso de Alta Floresta depende da apuração dos fatos pelas autoridades competentes.

Qualquer cidadão tem o direito de apoiar um partido, defender um candidato, criticar um governo ou discordar de decisões políticas. Da mesma forma, ninguém deveria ser tratado como inimigo ou ter sua reputação colocada em dúvida apenas por uma associação política não comprovada.

A questão vai além de uma disputa entre partidos. Trata-se de refletir sobre o tipo de convivência que queremos construir. Hoje, a lista pode ter uma determinada cor política; amanhã, pode ser direcionada a pessoas com outras convicções.

A democracia não exige que todos pensem da mesma maneira. Exige que as diferenças possam coexistir, com respeito às liberdades individuais e sem transformar a escolha nas urnas em motivo automático de hostilidade.

Uma cidade se constrói com pessoas diferentes convivendo, trabalhando e fazendo negócios umas com as outras, não com listas que incentivam a divisão.

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