Alta Floresta realiza, em 2026, o primeiro censo de primatas para identificar as espécies, estimar a população e acompanhar a distribuição dos macacos que vivem em fragmentos de floresta dentro e no entorno da área urbana do município.
O levantamento é desenvolvido pelo Projeto Reconecta, em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV). Os trabalhos de campo já foram concluídos e os dados estão em fase de análise. A proposta é que o censo seja repetido anualmente, criando uma série histórica sobre as populações de primatas do município.
A pesquisa foi realizada em quatro áreas: Reserva Surucuá, Fazenda Anacã, Parque Zoobotânico e Refúgio dos Padres. Em cada fragmento, a equipe permaneceu durante cinco dias utilizando duas metodologias: o transecto linear e o uso de drone equipado com câmera térmica.
No transecto, os pesquisadores percorrem as trilhas lentamente para reduzir os ruídos e aumentar as chances de identificar os animais e suas vocalizações. Já o drone com câmera térmica permite detectar o calor emitido pelos animais durante os sobrevoos sobre as áreas de floresta.
A utilização da tecnologia tem apoio do professor doutor Fabiano Melo, da UFV, especialista no uso de drones termais em pesquisas com primatas.

Seis espécies foram registradas
Segundo o biólogo Luan Goebel, pesquisador de pós-doutorado da Universidade Federal do Pará (UFPA) e associado ao Instituto Reconecta, o levantamento busca identificar quais espécies estão presentes, quantos indivíduos existem, do que se alimentam e como se comportam.
Durante o trabalho, cada encontro com um grupo de primatas é registrado com informações como horário, espécie, distância da trilha, atividade observada e coordenadas geográficas.
As seis espécies previstas para a região foram encontradas nas áreas pesquisadas:
- Bugio-vermelho (Alouatta puruensis);
- Macaco-aranha (Ateles chamek);
- Macaco-prego (Sapajus apella);
- Mico-de-Schneider (Mico schneideri);
- Macaco-da-noite (Aotus azarae);
- Zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi).
De acordo com o pesquisador, os dados serão importantes para compreender o tamanho, a distribuição e a situação das populações de primatas nos fragmentos florestais do município.
Dados poderão orientar ações ambientais
O resultado do censo deve ser publicado em breve e fará parte de um programa de monitoramento de longo prazo em Alta Floresta. As informações também poderão apoiar ações futuras do programa Alta Floresta Não Atropela.
Os dados serão compartilhados com a Fazenda Anacã, Reserva Surucuá (FEC), Prefeitura de Alta Floresta, Projeto Reconecta e Unemat.
A expectativa é que os resultados ajudem na definição de novos pontos para instalação de pontes artificiais para travessia da fauna, além de contribuir para a criação de corredores ecológicos e ações de reflorestamento.
A iniciativa também permitirá que estudantes da Unemat participem do acompanhamento das populações ao longo dos próximos anos.
Para Fernanda Abra, bióloga e coordenadora do Projeto Reconecta, a repetição do censo permitirá acompanhar a dinâmica das populações de primatas diante das mudanças na paisagem urbana e rural de Alta Floresta.
Campanha orienta moradores a não alimentar os animais
A presença dos macacos em áreas urbanas também levou a Prefeitura de Alta Floresta a lançar a campanha “Alta Floresta não alimenta animais silvestres”.
A orientação é para que moradores não ofereçam alimentos aos primatas, mesmo quando os animais aparecem próximos às residências, ruas ou estabelecimentos comerciais.
Segundo José Alessandro Rodrigues, da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, já foram identificadas situações em que moradores ofereciam comida pronta e restos de refeições aos animais.
A prática pode provocar alterações no comportamento dos primatas e aumentar o risco de transmissão de doenças entre animais silvestres, animais domésticos e seres humanos.
Além disso, alimentos industrializados ou preparados com óleo, sal e açúcar não fazem parte da alimentação natural dessas espécies.
A orientação das autoridades ambientais é que a população não alimente nem tente capturar os macacos, contribuindo para que os animais mantenham seus hábitos naturais e permaneçam em segurança nos fragmentos florestais.





