Alta Floresta está entre os municípios que integram a Rota dos Primatas de Mato Grosso, iniciativa criada para incentivar o turismo de observação de animais silvestres e fortalecer ações de conservação da biodiversidade.
O roteiro reúne sete locais em quatro municípios mato-grossenses e possibilita a observação de pelo menos 15 espécies de primatas em vida livre. Entre os destinos estão o Cristalino Lodge e a Fazenda Anacã, em Alta Floresta, além de empreendimentos em São José do Rio Claro, Sinop e Cláudia.
Mato Grosso abriga 29 espécies de primatas, e mais da metade das espécies que podem ser observadas na rota está ameaçada de extinção. A proposta é aproximar visitantes da biodiversidade e, ao mesmo tempo, contribuir para a conservação das florestas e dos animais.
Na Fazenda Anacã, em Alta Floresta, seis espécies de primatas podem ser observadas. Entre elas está o zogue-zogue-de-Alta Floresta (Plecturocebus grovesi), espécie encontrada na região. Também é possível encontrar o macaco-da-noite, considerado mais arisco e com hábitos crepusculares.
A propriedade também desenvolve ações voltadas à conservação da fauna. O turismo de observação é apontado como uma ferramenta para gerar recursos e valorizar a manutenção da floresta e a proteção dos fragmentos naturais.
Já no Cristalino Lodge, o turismo de observação de vida silvestre é desenvolvido desde a década de 1990. A área também possui histórico de pesquisas científicas relacionadas aos primatas, incluindo estudos sobre o macaco-aranha-de-cara-branca (Ateles marginatus), uma das espécies emblemáticas da região.
As observações no Cristalino podem ocorrer em trilhas, torres e durante passeios de barco pelo rio. Segundo a equipe do empreendimento, o período chuvoso, no fim do ano, pode proporcionar oportunidades diferenciadas de avistamento, quando alguns primatas descem até as margens para se alimentar.
A Rota dos Primatas de Mato Grosso foi estruturada com base em critérios científicos pelo Instituto Ecótono e pelo Grupo de Ecologia Aplicada de Sinop, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Entre os critérios estão a presença das espécies-alvo, a adoção de boas práticas de turismo de observação e o potencial para pesquisas de longo prazo.
Além de Alta Floresta, fazem parte da rota a Pousada Jardim da Amazônia, em São José do Rio Claro; Parque Natural Municipal Florestal, em Sinop; e os sítios Água Boa, Paso Kaú e Recanto dos Buritis, em Cláudia.
A proposta prevê uma experiência de aproximadamente 15 dias, período em que os visitantes podem ter a oportunidade de observar até 15 espécies vivendo livremente em seus habitats naturais, sempre com acompanhamento de guias especializados.
O projeto reúne instituições de pesquisa, órgãos públicos e empreendimentos turísticos, com o objetivo de utilizar o turismo de observação como ferramenta de valorização da biodiversidade e apoio à conservação dos primatas e de seus habitats.





