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“Sem a toga, sou apenas um corpo preto”, diz desembargadora após episódio em supermercado

“Sem a toga, sou apenas um corpo preto”, diz desembargadora após episódio em supermercado

Desabafo

“Sem a toga, sou apenas um corpo preto”, diz desembargadora após episódio em supermercado

Magistrada do TRT-MT relatou ter sido confundida com funcionária em mercado de Cuiabá e afirmou que situação evidencia o racismo estrutural no Brasil

A desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, Adenir Carruesco, utilizou as redes sociais para relatar uma situação vivida dentro de um supermercado em Cuiabá, que reacendeu o debate sobre racismo estrutural no Brasil.

Segundo a magistrada, o episódio ocorreu na manhã de domingo (17), após ela sair para caminhar e entrar em um estabelecimento comercial da capital. Durante as compras, Adenir contou que foi abordada por uma cliente que a confundiu com funcionária do supermercado e passou a pedir informações sobre produtos e setores da loja.

No vídeo publicado nas redes sociais, a desembargadora afirmou que não interpretou a atitude como um ato explícito de racismo, mas como reflexo de padrões estruturais ainda presentes na sociedade.

“Sem a toga, muitas vezes a sociedade ainda enxerga corpos negros em posições de serviço”, afirmou a magistrada ao comentar o episódio.

Adenir Carruesco possui trajetória consolidada na Justiça do Trabalho em Mato Grosso. Ela ingressou na magistratura trabalhista em 1994, atuou em cidades como Alta Floresta, Primavera do Leste e Rondonópolis, até assumir o cargo de desembargadora em 2021.

Em 2023, ela se tornou a primeira mulher negra da magistratura trabalhista a presidir o TRT de Mato Grosso, função exercida durante o biênio 2024/2025.

O relato repercutiu nas redes sociais e voltou a levantar discussões sobre discriminação racial e preconceitos históricos associados à ocupação de espaços de poder no país.

Desde 2023, a legislação brasileira passou a equiparar a injúria racial ao crime de racismo, após mudanças na Lei nº 14.532, que endureceu as punições para casos de discriminação racial no Brasil.

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