A Comissão Pastoral da Terra de Mato Grosso (CPT-MT) divulgou o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2025”, documento que traça um panorama da violência agrária e das disputas rurais registradas ao longo do último ano no estado. Os números apontam crescimento de conflitos fundiários, aumento das ameaças de despejo e avanço dos casos ligados à atuação de grupos armados em áreas rurais.
Conforme o levantamento, Mato Grosso contabilizou 63 ocorrências relacionadas a conflitos no campo, envolvendo aproximadamente 54 mil pessoas em diferentes regiões do estado. A maior parte dos registros está ligada a disputas por terra, categoria que concentrou 53 casos e atingiu mais de 11 mil famílias.
Entre os grupos mais impactados aparecem assentados, posseiros e comunidades quilombolas. O relatório também chama atenção para o crescimento de situações relacionadas à pistolagem, intimidações e ameaças em áreas de disputa agrária. Ao todo, foram registrados cerca de 200 episódios envolvendo violência, pressão armada ou ameaças contra trabalhadores e moradores rurais.
Outro dado que chamou atenção da CPT foi o salto nos registros de ameaça de despejo judicial. Segundo o relatório, mais de 4,7 mil famílias convivem atualmente com a possibilidade de retirada das terras por decisões judiciais, número superior ao registrado no ano anterior.
A região norte de Mato Grosso aparece como a área com maior concentração de conflitos agrários no estado. Ao todo, 26 municípios da região tiveram registros de disputas rurais, crescimento de quase 37% em comparação ao levantamento anterior.
O documento também destaca Mato Grosso na liderança nacional dos resgates de trabalhadores em situação análoga à escravidão. Em 2025, 606 pessoas foram retiradas de condições degradantes durante operações de fiscalização.
O maior caso ocorreu em Porto Alegre do Norte, onde 586 trabalhadores foram encontrados em situação irregular durante obras ligadas à construção de uma usina de etanol. Outro resgate ocorreu em Nova Maringá, envolvendo trabalhadores utilizados em atividades de corte e empilhamento de madeira.
As disputas envolvendo acesso à água também aumentaram no estado. Segundo a CPT, oito conflitos hídricos foram registrados no último ano, afetando diretamente quase 1,5 mil famílias. Os casos estão relacionados principalmente à expansão agrícola, barramentos e restrições de acesso a recursos naturais por comunidades tradicionais e pequenos produtores.
No cenário nacional, o relatório aponta redução no número geral de conflitos no campo em relação ao ano anterior. Apesar disso, a violência contra povos tradicionais e trabalhadores rurais continua preocupando organizações ligadas aos direitos humanos e à reforma agrária.
Além da queda geral nos registros, a publicação aponta aumento no número de assassinatos em áreas rurais e crescimento dos casos de trabalho escravo em diferentes regiões do país. Para mais detalhes sobre os dados nacionais, acesse aqui.





