O Ministério Público Federal (MPF) instaurou, nesta semana, um procedimento investigatório sigiloso para apurar possíveis tentativas de aliciamento de mulheres brasileiras pela rede criminosa do financista norte-americano Jeffrey Epstein. A investigação teve início após a análise de novos documentos e e-mails divulgados pelo governo dos Estados Unidos no final de janeiro de 2026.
Segundo informações preliminares, as mensagens reveladas sugerem que Epstein e seus colaboradores tinham interesse em recrutar mulheres no Brasil, mencionando inclusive contatos em cidades como Natal (RN), Recife (PE) e São Paulo (SP). Em um dos diálogos datados de 2011, um interlocutor teria oferecido a Epstein a “apresentação” de uma jovem brasileira de família humilde, solicitando o financiamento de passaporte e visto para levá-la ao exterior.
O caso foi encaminhado para a Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes (UNTC) do MPF, que deve coordenar as diligências para identificar se houve vítimas efetivas e se brasileiros atuaram como recrutadores da rede.
Jeffrey Epstein foi um bilionário condenado por crimes sexuais e tráfico de menores, que morreu em 2019 enquanto aguardava novo julgamento. A recente quebra de sigilo de milhões de páginas de documentos nos EUA trouxe à tona nomes de personalidades mundiais e detalhes de como a rede operava para captar mulheres em diversos países, incluindo o interesse explícito pelo Brasil.
Transparência e Sigilo
Por se tratar de um caso que envolve possíveis crimes de exploração sexual e tráfico de pessoas, o MPF mantém o procedimento sob segredo de Justiça. O objetivo é proteger a identidade de possíveis vítimas e não prejudicar o andamento das investigações.
Até o momento, nenhum nome de cidadão brasileiro foi oficialmente indiciado, mas as autoridades federais buscam cruzar os dados dos e-mails com registros de viagens e movimentações financeiras da época.





