A cidade de Alta Floresta ganhou evidência no cenário estadual de pesquisa agropecuária ao integrar, com papel de destaque, os estudos conduzidos pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT) durante a safra 2024/25. A instituição ampliou expressivamente seus ensaios de campo, com mais de 1.600 parcelas experimentais em seis municípios do estado, incluindo Alta Floresta, com o objetivo de avaliar a adaptabilidade e produtividade de diferentes cultivares de soja em variados ambientes.
Os dados preliminares, apresentados na 25ª edição do Encontro Técnico da Soja, em Cuiabá, revelaram que Mato Grosso alcançou um novo recorde de produtividade: média de 66 sacas por hectare, 14 sacas a mais em comparação com a safra anterior. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), o desempenho se deve principalmente às condições climáticas favoráveis, como melhor distribuição de chuvas e temperaturas mais amenas.
Em Alta Floresta, no entanto, os desafios são diferentes. A pesquisadora em fitotecnia Daniela Dalla Costa explicou que a região, caracterizada por chuvas mais constantes e menor incidência de radiação solar, apresenta limitações naturais que impactam diretamente o crescimento das plantas. “Com menos luz, há uma limitação na disponibilidade de energia para o crescimento vegetal, mesmo com boa distribuição hídrica. É um ambiente único, que exige estratégias específicas”, destacou.

Apesar disso, a inclusão de Alta Floresta no projeto de vitrines de cultivares reforça o interesse da Fundação MT em ampliar sua atuação também em áreas com características climáticas diferenciadas, como o Vale do Guaporé e o Vale do Araguaia. “São regiões que vêm se consolidando na produção agrícola, mesmo com desafios próprios. Nosso papel é entender como as cultivares se comportam nesses ambientes e orientar o produtor com base em dados sólidos”, afirmou Dalla Costa.
Além de pesquisa, a Fundação MT oferece consultoria agronômica e apoio na tomada de decisões estratégicas. “Estamos falando de planejamento agrícola, escolha de cultivares, época de semeadura e definições técnicas que influenciam diretamente no desempenho das lavouras”, explicou o consultor Élcio Bonfada. Segundo ele, muitos clientes registraram a maior produtividade histórica em suas fazendas nesta safra.
Para a próxima temporada (2025/26), as expectativas continuam otimistas. A previsão do IMEA é que Mato Grosso ultrapasse os 13 milhões de hectares de soja plantados. “Se as condições climáticas forem semelhantes às deste ano, temos boas chances de repetir ou até superar os resultados”, avaliou Bonfada.
A orientação aos produtores é clara: escolher cultivares com base em informações consistentes e adaptadas à realidade de cada propriedade. “Os materiais mais recentes precisam ser testados localmente. O produtor deve sempre buscar dados de mais de uma safra ou de ensaios repetidos, além de testar em áreas próprias, sempre que possível”, recomendou Daniela Dalla Costa.
Com iniciativas como essa, Alta Floresta fortalece sua presença no mapa da pesquisa agrícola do estado e contribui para o avanço técnico da produção de soja em Mato Grosso.





