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Empresa suspeita de fraudes interrompe cirurgias após Prefeitura anunciar suspensão parcial de contrato

Empresa suspeita de fraudes interrompe cirurgias após Prefeitura anunciar suspensão parcial de contrato

Em Cuiabá

Empresa suspeita de fraudes interrompe cirurgias após Prefeitura anunciar suspensão parcial de contrato

Somente nesta terça-feira (20), estavam previstas 72 consultas consideradas não urgentes e 12 cirurgias.

Cirurgias sem necessidade, superfaturamento: empresa é suspeita de fraudes em procedimentos ortopédicos em hospitais públicos — Foto: Reprodução/TV Globo

A empresa MedTrauma Serviços Médicos Especializados Ltda, suspeita de fraudes em procedimentos ortopédicos em Mato Grosso e outros dois estados, anunciou, nesta terça-feira (20), a suspensão de consultas e cirurgias agendadas no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), após a Prefeitura de Cuiabá romper, parcialmente, o contrato com a empresa. Somente nesta terça, estavam previstas 72 consultas consideradas não urgentes e 12 cirurgias.

O decreto publicado pelo município, nessa segunda-feira (19), não cita a interrupção das cirurgias e sim do fornecimento de órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs).

A prefeitura informou que tem contrato com outra empresa que distribui esses materiais e que a MedTrauma deve continuar realizando os procedimentos, previstos no contrato. A Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) notificou a MedTrauma sobre a ilegalidade da suspensão de cirurgias no HMC.

Em nota, a MedTrauma informou que continua realizando apenas cirurgias de urgência e emergência. A empresa alega que mesmo com a notificação obrigando a empresa a retomar 100% os serviços, isso não seria possível, pois “o entendimento da equipe jurídica é de que estão impossibilitados de atuar nas unidades de Cuiabá”.

A empresa solicitou ainda que o decreto seja reformulado, pois a MedTrauma não fornece OPMEs, e sim as cirurgias, incluindo serviço médico e os materiais, e que, ao suspender todas adesão à Ata, a prefeitura suspende também o serviço médico.

“A MedTrauma cumprirá a suspensão, mas alerta que a medida irá prejudicar e impactar diretamente os mais de 400 mil cuiabanos que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), além dos pacientes do interior regulados pelo estado, já que a paralisação dos serviços realizados no HMC deixará a população sem nenhum atendimento ou cirurgia na área de ortopedia”, diz.

Uma investigação do Fantástico contra a empresa encontrou documentos que comprovavam superfaturamentos e cirurgias desnecessárias. Há também pacientes que até hoje, não receberam informações sobre as próteses implantadas neles.

Autoridades apuram práticas de irregularidades pela MedTrauma foram exportados do Acre para o Mato Grosso e Roraima, que aderiram a ata de preços da empresa.

No dia 2 de fevereiro a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão nas sedes da MedTrauma e empresas do seu grupo. Em Roraima, a PF fez buscas até na casa Secretaria de Saúde, Cecília Lorenzon. Ela chegou a ser afastada do cargo pela justiça, mas esta semana a decisão foi revertida.

Fraude na saúde

Em Mato Grosso, a empresa tinha contrato com o Estado e a Prefeitura de Cuiabá. Os contratos assinados pela MedTrauma foram baseados em documento chamado Ata de Registro de Preços.

No ano de 2021, o caminhoneiro Eduardo Goivinho, de 51 anos, precisava de uma cirurgia no quadril, e a Justiça do Mato Grosso determinou que o Estado fornecesse uma prótese de cerâmica. Contudo, após a cirurgia, Eduardo descobriu que a prótese implantada não correspondia àquela determinada pela juíza.

Eduardo questionou o hospital e recebeu uma nota fiscal de uma empresa chamada Prótesis Distribuidora de Implantes Cirúrgicos Ltda. A nota não tinha marca, modelo, validade ou registro da prótese na Anvisa, informações que são obrigatórias por lei.

Os materiais ortopédicos usados na cirurgia de Eduardo custaram mais de R$ 17 mil, todos fornecidos pela empresa Protesis. Esta empresa faz parte de um grupo com outras 9 empresas, incluindo a MedTrauma Serviços Médicos Especializados Ltda, sediada em Cuiabá. A MedTrauma possui contratos tanto com a prefeitura da cidade quanto com o governo de Mato Grosso para administrar toda a área ortopédica dos hospitais públicos do estado, tanto da capital quanto do interior.

“Até agora eu não sei que prótese colocaram em mim, que a do juiz, eu tenho certeza que não foi”, disse o caminheiro na reportagem.

Fonte: G1MT

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