Parte do setor comercial de Sorriso resolveu novamente aderir ao manifesto de pessoas que contestam o resultado das urnas eletrônicas, bem como o bloqueio bancário de estabelecimentos comerciais e empresários determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Empresas fecharão as portas na tarde de terça-feira (22) até domingo (27) também por temerem a escalada de violência na BR-163, onde têm sido registrados ataques terroristas.
Na segunda-feira (21), empresários sorrisenses se reuniram e definiriam que o comércio que quiser aderir ao movimento permanecerá fechado por cinco dias, sendo que alguns funcionarão somente em regime de plantão. No sábado (26), será realizada uma nova reunião, às 7h, para definir futuras ações referentes às manifestações.
Em entrevista ao Portal Sorriso, o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Sorriso (Aces), César Roberto Schevinski, informou que os empresários estão preocupados com os ataques ocorridos na BR-163. “Como entidade não podemos ficar inertes nesse momento e abrimos junto com a CDL [Câmara de Dirigentes Lojistas] um espaço no auditório da Aces para os empresários se reunirem e definirem o que farão. Sabemos como é difícil o comercio fechar, mas não podemos incentivar e nem temos poder para isso, mas fizemos a nossa parte para eles definirem e a grande maioria achou melhor fechar”.
Conforme César, a adesão ao fechamento das lojas é voluntária e livre. “Muitos querem aderir, mas a maioria não fecha. Mas muitos sacrificam em apoio ao manifesto, para que haja transparência das urnas, uma auditoria para que o STF clareie o que aconteceu, principalmente com relação às urnas mais antigas. E o que inflamou mais foram as ações do STF em cima, inclusive, de empresários de Sorriso, mas quem se mantiver de portas abertas não sofrerá boicote, isso não existe em Sorriso, pois tem muita gente que precisa faturar, e o comércio passou por uma pandemia recente, sabemos das dificuldades e quem quiser pode abrir ou trabalhar internamente”.
Para César, há o risco de haver supostos “infiltrados” nas manifestações e isso pode gerar prejuízos aos comerciantes. “Não sabemos de onde essas ameaças vêm, pois, a gente apoia um movimento ordeiro. E aos comércios que se mantiverem abertos, recomendamos que busquem se manter de forma protegida. De forma alguma haverá qualquer retaliação”, disse.
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Sorriso disse que a decisão dos comerciantes tem viés político e que, apesar de ser “apartidária”, irá acompanhar o movimento e fechar as portas no período da tarde.
E o impacto na economia?
A expectativa é que o fechamento por cinco dias do comércio não gere impacto, conforme prevê a Aces. “A gente acha que é pouco tempo para impactar, embora saibamos que fará alguma diferença. Foi escolhido o fechamento até o dia 27 para que não fiquem abrindo e fechando, e haja maior visibilidade. Ontem, Sinop resolveu fechar o comércio até domingo, depois de nós veio também Nova Mutum e Lucas do Rio Verde também parece que vai aderir. A expectativa é de que nesta semana tudo se resolva e se clareie a questão das urnas e tudo volte ao normal na semana que vem”.
Empresas apontam dificuldade para fechamento
Apesar da adesão da maioria das empresas, há também comerciantes que informaram, por meio de suas redes sociais, que apoiam às manifestações, mas que não têm condições de manter as portas fechadas, seja pelo porte do negócio, predominância de produtos perecíveis e por ainda buscarem os ajustes de contas após a pandemia que afetou, sobretudo, o comércio noturno.
“Os bares, restaurantes e demais do ramo alimentício de Sorriso declara apoio a todo manifesto pacífico e facultativo que é de direito de todos, também parabeniza os comerciantes que têm condições paralisar seu funcionamento por um longo período. Durante a pandemia, o comércio noturno foi o primeiro a sofrer as consequências que levaram muitos a falir. Dos que sobreviveram, muitos carregam contas. Trabalhamos com produtos perecíveis e a margem de lucro em alimentação é relativamente baixa com todos os custos reais, o que faz cada dia ser importantíssimo no final das contas. Por conta disso, nós, empresários do ramo alimentício, parabenizamos os manifestantes, mas manteremos nossas portas abertas”, frisou uma pizzaria.
Prejuízo no recebimento por comissão
Além das empresas que não têm condições de manter de portas fechadas por cinco dias, há comerciantes que destacam que também não desejam afetar os comissionistas, que recebem sua remuneração de modo variável, dependendo unicamente de quanto o empregador puder render em seu serviço para alcançar metas.
Prefeitura não se pronuncia
Procurada, a Prefeitura comunicou que não se manifestará sobre o fechamento do comércio, mas pontuou que permanecerá aberta, ofertando serviços aos cidadãos que necessitam de atendimento.





