O empresário Juliano César Volpato, administrador da empresa Marmeleiro Auto Posto e proprietário da Saga Comércio Serviço Tecnológico, gravou uma das entregas de propinas ao ex-secretário estadual de Administração, Pedro Elias, conforme relata denúncia do Ministério Público Estadual (MPE). A gravação subsidiou a quinta fase da “Operação Sodoma”, deflagrada na última quinta-feira.
Em delação premiada, o empresário relatou que realizava pagamento mensal de propinas para a organização, em troca de suas empresas continuarem sendo contratadas pelo Estado, por meio de licitações fraudadas. Juliano pagava valores que variaram entre R$ 70 mil e R$ 80 mil aos criminosos.
Consta na denúncia do MPE que o empresário comprovou a entrega de valores oriundos das fraudes e desvios de dinheiro público ao grupo criminoso que estava na administração do Estado por meio da gravação. A prova foi anexada ao relatório técnico do MPE relacionado à denúncia que culminou na deflagração da quinta fase da Operação Sodoma. “Desta forma, tenho que se encontra bastante a certeza da materialidade, enquanto vislumbro fortes indícios de autoria em relação a todos os representados”, destaca trecho da decisão da juíza Selma Arruda, que decretou a nova fase da Sodoma.
A magistrada ainda relata, em razão da denúncia do MPE, os indícios de que uma organização criminosa estava instalada “no seio da Administração Pública Estadual de Mato Grosso” durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). Com base nos apontamentos do Ministério Público, a juíza menciona que a organização criminosa era chefiada por Silval e assessorada por pessoas que ocupavam cargos de alto escalão dentro do governo, como secretários de Estado, coordenadores, secretários-adjuntos, entre outros. “Segundo a representação, a referida organização criminosa teria como objetivo precípuo o desvio de verba Pública em seu próprio favor, e para tanto, associava-se a particulares e a servidores públicos que agiam, ou por conveniência, ou por omissão, ou ainda, por obediência hierárquica, com ou sem recompensa financeira”, assinala a magistrada.
De acordo com Selma Arruda, as provas que constam nos autos do processo comprovam os crimes praticados pela organização, pois reforçam as delações premiadas dos ex-secretários de Administração, César Zílio e Pedro Elias e de outros colaboradores. “As declarações convergem perfeitamente com o que diz Alaor Alvélos Zeferino de Paula e mais ainda, com o que declaram os empresários, Juliano César Volpato e Edésio Corrêa, de tal modo que o cruzamento das informações prestadas, até o momento, tem credibilidade suficiente para suportar a decretação das prisões preventivas”, argumenta.
Sodoma 5
A quinta fase da Sodoma foi deflagrada na manhã desta terça-feira (14). A investigação, presidida pela Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública, cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, nove de condução coercitiva e nove de busca e apreensão domiciliar, nos estados de Mato Grosso, Santa Catariana e Distrito Federal. Os mandados de prisão foram cumpridos contra o ex-secretário adjunto da Setpu, Valdisio Juliano Viriato; o ex-secretário de Administração, Francisco Faiad; o ex-governador Silval da Cunha Barbosa; o ex-chefe de gabinete de Silval, Sílvio Cesar Corrêa Araújo; e o ex-secretário adjunto de administração, José Jesus Nunes Cordeiro.
Entre os conduzidos coercitivamente para interrogatórios estão o ex-candidato ao governo do Estado, Lúdio Cabral (PT); o ex-secretário de Fazenda, Marcel Souza de Cursi; Wilson Luiz Soares; Mário Balbino Lemes Junior; e Rafael Yamada Torres.
Folhamax





