O candidato a deputado federal Nilson Leitão (PP-MT) participou de uma reunião virtual com lideranças indígenas de diferentes regiões do Brasil para discutir propostas relacionadas à produção econômica em territórios indígenas.
Durante o encontro, Leitão apresentou seu histórico de atuação política e afirmou ter acompanhado questões relacionadas aos povos indígenas desde o período em que foi prefeito. Ele também citou a desintrusão da Terra Indígena Marãiwatsédé, em Alto Boa Vista, como um dos episódios que o aproximaram do debate sobre demarcação e conflitos fundiários.
Segundo o candidato, a experiência contribuiu para sua atuação no Congresso Nacional em temas relacionados às terras indígenas. Ele mencionou a participação na CPI da Funai e do Incra, da qual foi relator, além da PEC 2015 e de debates sobre a possibilidade de produção em escala dentro de territórios indígenas.
Leitão defendeu a criação de condições para que comunidades indígenas possam desenvolver atividades econômicas e afirmou que investimentos públicos poderiam ser complementados por parcerias com empresas privadas.
Lideranças apresentam demandas
Durante a reunião, o cacique Dapoto’wa Ra Tsrebabari, líder Xatagaká, defendeu a criação de mecanismos legais que permitam aos indígenas ampliar a produção agrícola dentro de seus territórios. Ele também citou a exploração mineral como uma atividade que, na avaliação dele, poderia gerar renda para determinadas comunidades, desde que regulamentada e acompanhada de investimentos.
O cacique afirmou que algumas comunidades enfrentam dificuldades por falta de equipamentos e recursos para desenvolver projetos produtivos.
Nilson Leitão defendeu que, além de recursos públicos, empresas privadas possam participar do financiamento de atividades econômicas desenvolvidas pelas comunidades indígenas.
A demarcação de terras também foi discutida. Dapoto’wa afirmou que existem etnias em Mato Grosso que ainda aguardam a definição de territórios e citou áreas de preservação como exemplos de locais que, segundo ele, poderiam ser discutidos para utilização pelas comunidades.
Entre os locais mencionados esteve o Parque Estadual Cristalino, na região de Alta Floresta, além da Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, localizada entre os municípios de Colniza e Aripuanã.
Leitão afirmou que existem áreas públicas que poderiam, na avaliação dele, ser utilizadas para projetos produtivos indígenas, sem necessidade de retirar propriedades privadas.
O cacique Lucas Tukano Doé, representante do povo Tukano, de São Gabriel da Cachoeira (AM), também defendeu a regulamentação da exploração mineral em terras indígenas. Ele afirmou que comunidades possuem interesse em desenvolver atividades econômicas, mas enfrentam limitações pela ausência de uma legislação específica.
Já o cacique Marcos Dito Xavante, da Aldeia Nova Esperança, em Paranatinga, relatou dificuldades para desenvolver atividades agrícolas e pediu investimentos em máquinas e equipamentos.
O cacique Amazonas, que coordena um projeto agroindígena em Roraima, relatou experiências com parcerias produtivas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Ele sugeriu a realização de análises de solo e a participação da Embrapa na elaboração de projetos.
Apoio à candidatura
Ao final da reunião, algumas das lideranças participantes declararam apoio à candidatura de Nilson Leitão.
O professor e linguista indígena Warý Kamaiurá Sabino, do Alto Xingu, afirmou que lideranças da região apoiam o candidato.
Também declarou apoio Elenildo Kayabi, responsável por um projeto de turismo de pesca esportiva no baixo Teles Pires, em Alta Floresta. Ele pediu que o candidato dê atenção às demandas da região.
Josiane Kayabi também manifestou apoio à candidatura.
Nilson Leitão agradeceu as manifestações e afirmou que pretende manter o diálogo com as comunidades indígenas.
A reunião ocorreu no contexto das eleições de 2026, nas quais Leitão disputa uma vaga de deputado federal por Mato Grosso.





