O avanço das investigações sobre um suposto esquema de lobby e irregularidades em desapropriações no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Mato Grosso passou a ampliar a pressão política sobre o deputado estadual Valdir Barranco dentro da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
O caso ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pelo Fala Brasil revelar detalhes de uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso sobre possíveis articulações políticas ligadas a processos de desapropriação rural conduzidos pelo Incra no estado.
No centro da apuração está a Fazenda Nossa Senhora Aparecida, localizada em Nova Bandeirantes, área de aproximadamente 2,4 mil hectares avaliada em cerca de R$ 35 milhões.
Conforme o Ministério Público, interceptações telefônicas apontariam a atuação de Salvador de Almeida, assessor ligado ao gabinete de Valdir Barranco, em negociações para facilitar a inclusão de propriedades rurais em processos de aquisição pelo Incra.
Os investigadores apuram se houve tráfico de influência, intermediação irregular e possíveis vantagens indevidas envolvendo a oferta de áreas destinadas à reforma agrária.
A investigação também cita o advogado Samuel Vasconcelos, que atua em ações judiciais relacionadas a disputas possessórias e reintegrações de posse.
Outro ponto considerado sensível no inquérito é o fato de a fazenda investigada possuir embargos ambientais aplicados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso em razão de desmatamento ilegal, condição que, em tese, impediria a implantação de assentamentos no local.
Mesmo diante das restrições ambientais, a área teria sido incluída entre as consideradas aptas para desapropriação, situação que acabou interferindo em uma ação judicial de reintegração de posse.
Nos bastidores políticos da ALMT, o caso aumentou a pressão de parlamentares da oposição, especialmente após a divulgação dos áudios investigados. Deputados da ala conservadora passaram a defender o aprofundamento das investigações e cobram análise do caso pela Comissão de Ética da Casa.
Nos últimos dias, Valdir Barranco intensificou sua agenda pública e apresentou propostas relacionadas à transparência e fiscalização de contratos públicos, movimento interpretado nos bastidores políticos como tentativa de afastar sua imagem do escândalo.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária confirmou a exoneração do então superintendente regional Joel Machado de Azevedo e instaurou auditoria interna em processos de desapropriação conduzidos pela regional mato-grossense nos últimos dois anos.
O Ministério Público segue avançando na análise de documentos, depoimentos e movimentações financeiras para identificar se houve fluxo de recursos ou promessas de pagamento ligadas às negociações investigadas.
Há ainda possibilidade de participação da Polícia Federal no caso, considerando que o Incra é uma autarquia federal.
Valdir Barranco nega qualquer irregularidade e afirma que sua atuação ocorre exclusivamente no campo político e institucional em defesa da agricultura familiar e da reforma agrária. Salvador de Almeida também nega participação em qualquer esquema ilícito. Já Joel Machado sustenta que todas as decisões tomadas no Incra seguiram critérios técnicos e legais.
Sessão da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da ALMT (05/05/2026):
TV Assembleia MT – Reunião Ordinária da CCJR (05/05/2026)




