Um homem de 39 anos morreu, na manhã deste sábado (24), após um confronto com policiais do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), na zona rural de Juara (709 km a Médio-Norte de Cuiabá).
Ele era apontado como piloto de um avião de pequeno porte, que havia sido interceptado pela Força Aérea Brasileira (FAB), na sexta-feira (23), depois de ingressar irregularmente no espaço aéreo brasileiro, vindo da Bolívia.
A operação começou quando uma aeronave E-99, equipada com sistemas de radar de alerta aéreo antecipado, identificou um avião modelo Cessna, de cor branca, sobrevoando o território mato-grossense, sem plano de voo e sem matrícula identificada.
Diante da irregularidade, a FAB acionou um caça A-29 Super Tucano, para realizar a interceptação.
Ao perceber a aproximação da aeronave militar, o piloto suspeito realizou um pouso forçado, em uma área rural próxima a Juara, incendiou o próprio avião e fugiu.
A ação foi coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (Comae), responsável pelo monitoramento e pela defesa do espaço aéreo brasileiro, com participação de órgãos de Segurança Pública, entre eles a Polícia Federal.
Após a fuga, equipes do Gefron iniciaram buscas na região, que se prolongaram durante toda a noite de sexta-feira. Por volta das 6h30 deste sábado, os policiais localizaram o suspeito em uma fazenda.
Conforme a versão apresentada pela Polícia Militar, durante a tentativa de abordagem, o homem teria feito disparos contra os agentes, que reagiram. O piloto foi atingido e recebeu os primeiros socorros da parte dos próprios policiais.
Durante o deslocamento, ele foi transferido para uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o encaminhou ao Hospital Municipal de Juara. Ele, porém, não resistiu aos ferimentos. Com o suspeito, os policiais apreenderam uma pistola calibre .22 e 16 munições intactas.
A identidade do homem não havia sido informada pelas autoridades.
SUSPEITA DE TRÁFICO – A principal suspeita das forças de segurança é de que o avião seria utilizado para o transporte de drogas, da Bolívia para o território brasileiro.
Segundo o registro policial, a perícia identificou a presença de entorpecentes nos destroços da aeronave incendiada.
Entretanto, devido às condições em que o avião foi encontrado, não foi possível determinar a quantidade da substância.
A destruição da aeronave também deverá dificultar a identificação de sua procedência e a apuração das circunstâncias do voo clandestino.
O avião-radar E-99, utilizado na operação, tem tecnologia capaz de detectar aeronaves voando em baixas altitudes, inclusive em regiões remotas, onde o monitoramento convencional enfrenta maiores dificuldades.
A interceptação integra as ações de vigilância do espaço aéreo brasileiro, especialmente nas rotas próximas às fronteiras internacionais, utilizadas por organizações criminosas para o transporte de entorpecentes.
O caso deverá ser investigado para esclarecer a origem e o destino da aeronave, identificar possíveis envolvidos na operação clandestina e apurar as circunstâncias do confronto que resultou na morte do piloto.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre a quantidade de drogas transportadas nem sobre a eventual participação de outras pessoas no voo.




