Um grupo de setenta indígenas da etnia mundurucu realizaram um protesto nesta terça-feira (24) no Museu de História Natural de Alta Floresta (MT) exigindo, pela terceira vez, a devolução de doze urnas funenárias sagradas que foram desenterradas durante a construção da usina hidrelétricas Teles Pires.
“Para vocês, da empresa, e para o Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], as urnas são somente objeto ou vasilhames cerâmicos. Para nós, são os nossos ancestrais”, dizem os munducurus, que afirmaram que só deixaram a sede do museu quando as urnas forem devolvidas. Eles viajaram seis dias para conseguir chegar ao local.
Segundo os pajés, desde a remoção das peças sagradas do rio, em 2017, a tribo vem sofrendo “infortúnios”. “Vocês estão causando muita tragédia para o povo mundurucu. Desde que vocês roubaram nossas urnas, vêm acontecendo muitas coisas ruins com nosso povo e nossa terra: acidentes, mortes de pessoas, temporais […] Também estão morrendo os peixes, as tartarugas e outras caças”, afirmam. Eles contam que duas mulheres morreram apenas esse ano após serem atingidas por raio. Com informações da Folha de S. Paulo
Em nota ao site Nativa News a assessoria informou que a Empresa de Energia São Manoel (EESM) recebeu uma delegação de representantes do povo indígena Munduruku no último domingo (22) com o objetivo de realizar uma manifestação. Após dialogar com as lideranças do movimento, que manifestaram o desejo de visitar as urnas funerárias de seus antepassados no Museu de História Natural de Alta Floresta, foram disponibilizados ônibus para conduzir os indígenas até o local. Concluídos os rituais, os membros da delegação retornaram hoje (26) para as suas aldeias.





