Inaugurado na terça-feira (28) em Alta Floresta uma rede atacadista ofereceu em suas gôndolas uma amostra significativa dos resultados do projeto Redes Socioprodutivas, coordenado pelo ICV com recursos do Fundo Amazônia.
A primeira remessa contou a participação de 20 produtores da Associação Guadalupe Agroecológica (AGuA), de Alta Floresta, e da Cooperativa dos Produtores Hortifrutigranjeiros (Coopervila), de Paranaita.
O carregamento incluiu mais de uma tonelada e meia de banana (nas variedades maçã, da terra e nanica), milho, jiló e pepino caipira, além de 1.200 maços de hortaliças como alface (crespa e americana), coentro, almeirão e cebolinha.
O Redes Socioprodutivas apoia e ajuda a articular associações e cooperativas de produtores que reúnem mais de 600 famílias das regiões norte e noroeste. O foco são as cadeias produtivas de hortifruti, leite, cacau, café, castanha e babaçu.
OFERTA E DEMANDA
As negociações com o grupo atacadista começaram há cerca de seis meses, com a proximidade da conclusão das obras do centro comercial – que ocupa uma área de 30 mil metros quadrados na região central de Alta Floresta.
“Antes mesmo da chegada desse grupo, já havíamos feito um levantamento do mercado local e detectado uma demanda grande por hortaliças. O que era preciso era articular e organizar a oferta local”, avaliou Eduardo Darvin, um dos coordenadores do projeto.
O trabalho de seleção dos primeiros fornecedores levou em conta necessidades básicas do mercado, como o padrão de qualidade, escala e garantia de oferta. A regularidade no fornecimento dos produtos, explica o coordenador, é o grande desafio.
“O objetivo, nesta fase inicial, é alcançar ao menos duas entregas semanais de produtos. Para isso, precisaremos agregar mais produtores para assegurar uma oferta constante e, eventualmente, ampliá-la”, explica.
A colheita e a embalagem dos produtos é feita pelos produtores e o ICV se encarrega da coleta e o transporte até o centro comercial. Os recursos arrecadados com a comercialização serão repassados às associações e cooperativas semanalmente.
ORGÂNICOS
Outro objetivo da iniciativa é fortalecer os arranjos produtivos fundamentados na agricultura orgânica na região. Em 2019, o projeto Redes Socioprodutivas ofereceu assistência técnica, logística e jurídica para a criação da Repoama (Rede de Produção Orgânica da Amazônia Mato-grossense).
A proposta é viabilizar a certificação das propriedades da agricultura familiar a partir da implementação do chamado Sistema Participativo de Garantia, que é de baixo custo e possibilita a comercialização para terceiros.
Com demanda crescente por produtos orgânicos no Brasil, a expectativa é aproveitar o momento para divulgar a produção da região, que atualmente tem 48 propriedades em processo de certificação.
Existem ainda cerca de 30 propriedades inseridas na rede que já começaram o processo de transição. A expectativa é que, com a REPOAMA, quadruplique o número de produtores certificados na região.
“É só o começo, mas a objetivo é abrir ainda mais espaços. Quem sabe possamos ter estabelecimentos com gôndolas exclusivas para os produtos orgânicos locais?”, avalia.





