Quatro novas espécies de cogumelos do gênero Hygrocybe foram identificadas em áreas de floresta amazônica no norte de Mato Grosso. A descoberta ocorreu nas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) Cristalino, entre os municípios de Alta Floresta e Novo Mundo, e foi publicada na revista científica Phytotaxa.
Entre as espécies identificadas, duas chamam a atenção pela coloração esverdeada, característica pouco comum entre os cogumelos desse gênero, geralmente conhecidos por apresentar tons de vermelho, laranja e amarelo.
Uma delas é a Hygrocybe cristalinoensis, que possui coloração verde em praticamente toda a estrutura, desde a base do pé até o chapéu, com bordas brancas e franjadas. A outra, denominada Hygrocybe viridilacerata, também apresenta tonalidade verde, mas tem como característica o centro do chapéu, que se abre em formato de estrela conforme o cogumelo amadurece.
As outras duas espécies receberam os nomes de Hygrocybe pegleri e Hygrocybe vinaceosquamulosa. A primeira se destaca pelo tamanho, com o pé ultrapassando 10 centímetros e o chapéu coberto por escamas amarronzadas. O nome é uma homenagem ao micólogo David N. Pegler. Já a segunda apresenta chapéu escamoso, com tonalidades que variam entre o roxo e o rosa, além de esporos alongados.
O estudo foi conduzido por pesquisadores ligados ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sob liderança de Juli Simon Cardoso. A pesquisa começou a partir de registros feitos pela parataxonomista alemã Susanne Sourell, que realizava visitas anuais à região e compartilhava fotografias dos cogumelos em um grupo de identificação de fungos brasileiros nas redes sociais.
Para confirmar que se tratava de espécies ainda não descritas pela ciência, os pesquisadores realizaram análises das características físicas e microscópicas dos exemplares, além de comparações genéticas por meio de sequências de DNA.
As coletas ocorreram em trilhas de floresta de terra firme, em uma área próxima ao Parque Estadual Cristalino e conectada a territórios indígenas e outras unidades de conservação. A localização é considerada estratégica para a preservação da biodiversidade amazônica, especialmente diante do avanço do desmatamento na região.
Segundo as informações do estudo, nenhum dos quatro cogumelos é considerado comestível. Ainda são necessários testes para investigar possíveis aplicações dos organismos, inclusive em pesquisas relacionadas a medicamentos e repelentes.
A descoberta também reforça a importância da conservação ambiental. Duas das espécies são consideradas restritas às áreas onde foram encontradas, o que aumenta a preocupação com a preservação desses ambientes.
Os fungos desempenham funções essenciais no equilíbrio das florestas, participando da decomposição da matéria orgânica, do armazenamento de carbono no solo e da absorção de nutrientes pelas plantas. Apesar dessa importância, estima-se que apenas uma pequena parcela das espécies de fungos existentes no planeta já tenha sido identificada e descrita pela ciência.





