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MT registra 35 conflitos no campo; Alta Floresta tem caso de trabalho escravo

MT registra 35 conflitos no campo; Alta Floresta tem caso de trabalho escravo

Conflitos no Campo

MT registra 35 conflitos no campo; Alta Floresta tem caso de trabalho escravo

Levantamento da Comissão Pastoral da Terra aponta 21 conflitos por terra, 10 envolvendo água e quatro ocorrências de trabalho escravo rural no Estado

Mato Grosso registrou 35 conflitos no campo entre janeiro e junho de 2026, segundo levantamento parcial da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgado na quarta-feira (2). Do total, 21 ocorrências foram relacionadas à disputa por terra, 10 ao acesso à água e quatro envolveram trabalho escravo rural.

Entre os registros de trabalho escravo está Alta Floresta, que aparece ao lado de Alto Taquari, Campo Novo do Parecis e Peixoto de Azevedo entre os municípios com ocorrências registradas pela CPT no primeiro semestre.

Os casos de trabalho escravo envolveram atividades como serviços gerais, produção de carvão, lavoura de algodão e criação de gado. Nos registros em que o número de trabalhadores foi informado, 72 pessoas foram resgatadas.

O maior número de resgates ocorreu em Campo Novo do Parecis, onde 35 trabalhadores foram retirados de uma lavoura de algodão. Em Peixoto de Azevedo, 25 trabalhadores foram resgatados em uma ocorrência relacionada à criação de gado. Já em Alto Taquari, 12 pessoas foram encontradas em uma atividade de produção de carvão.

Os conflitos pelo acesso à água atingiram 494 famílias em Mato Grosso no primeiro semestre. Foram registrados 10 casos, número que já supera as oito ocorrências contabilizadas em todo o ano de 2025.

Entre os registros está a Terra Indígena Kayabi, em Apiacás, onde 192 famílias foram apontadas como atingidas. Também aparecem o Assentamento Vale do Amanhecer, em Juruena, com 225 famílias, além da Terra Indígena Sararé, em Conquista D’Oeste, e do Assentamento Vale da Esperança, em Nova Guarita.

Em Barão de Melgaço, cinco comunidades de pescadores e outras populações tradicionais também foram incluídas no levantamento.

Segundo a CPT, os conflitos estão relacionados a situações como contaminação e poluição de recursos hídricos, redução ou impedimento do acesso à água e impactos provocados por garimpos e obras de infraestrutura.

Mato Grosso registrou ainda 21 conflitos relacionados à terra entre janeiro e junho. A CPT inclui nessa categoria ocorrências envolvendo invasões de territórios, desmatamento ilegal, grilagem, pistolagem, violações das condições de existência e assassinatos.

Entre os casos com maior número de pessoas atingidas está a Terra Indígena Parabubure, do povo Xavante, em Campinápolis, com 7.610 pessoas.

A Terra Indígena Sararé, em Conquista D’Oeste, também aparece com três registros envolvendo 47 indígenas. Conforme a CPT, os casos estão relacionados a invasões e desmatamento ilegal atribuídos à atuação de garimpeiros.

Cenário nacional

Em todo o Brasil, a CPT contabilizou 841 conflitos no campo no primeiro semestre de 2026, contra 798 no mesmo período do ano passado, aumento de 5,4%.

Do total registrado neste ano, 711 foram conflitos relacionados à terra, 100 envolveram água e 30 foram casos de trabalho escravo rural.

Apesar do aumento no número geral de conflitos, os assassinatos relacionados às disputas no campo caíram de 27 para seis mortes no período.

A CPT também registrou aumento nos casos de violência contra pessoas, que passaram de 418 no primeiro semestre de 2025 para 588 neste ano.

Os dados são parciais e podem sofrer alterações com a inclusão de novos registros. Segundo a entidade, as informações são reunidas a partir de dados de agentes da CPT, imprensa, órgãos públicos, movimentos sociais e organizações parceiras. O levantamento servirá de base para o relatório anual Conflitos no Campo Brasil, previsto para ser divulgado em 2027.

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