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Justiça suspende aditivo da Via Brasil após liminar obtida por Faissal em Ação Popular

Justiça suspende aditivo da Via Brasil após liminar obtida por Faissal em Ação Popular

Na Justiça

Justiça suspende aditivo da Via Brasil após liminar obtida por Faissal em Ação Popular

Decisão liminar aponta prejuízo de até R$ 14 milhões ao Estado e riscos à segurança viária com exclusão de obras obrigatórias; contrato foi prorrogado sem justificativa técnica adequada.

O deputado estadual Faissal Calil (Cidadania) obteve uma importante vitória na Justiça com a suspensão imediata do 4º Termo Aditivo firmado entre o Governo de Mato Grosso, a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (AGER/MT) e a concessionária Via Brasil MT 320. A liminar foi concedida nesta quinta-feira (18) pelo juiz Bruno D’Oliveira Marques, da Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá.

A decisão judicial atende a uma Ação Popular movida por Faissal e se fundamenta na ausência de justificativas técnicas válidas, além de apontar riscos concretos ao erário e à segurança pública. O aditivo, assinado no início de janeiro de 2025, modificava pontos cruciais do contrato de concessão das rodovias MT-320 e MT-208.

O que previa o aditivo

Segundo o parlamentar, o documento firmado entre o Estado e a concessionária favorecia indevidamente a Via Brasil ao:

  • Isentá-la do pagamento de outorga variável, valor que deveria ser repassado anualmente ao Estado;
  • Excluir obras obrigatórias previstas no contrato original, como acostamentos e travessias;
  • Prorrogar antecipadamente o contrato por mais 5 anos e meio, sem contrapartidas proporcionais.

Além disso, Faissal sustenta que a empresa já apresentava crescimento expressivo de receita, o que contraria a tese de desequilíbrio econômico-financeiro usada como justificativa para as alterações contratuais.

Decisão judicial: prejuízo milionário e risco à vida

Na liminar, que tem 67 páginas, o juiz Bruno Marques detalha os impactos da medida contestada:

  • A isenção da outorga, correspondente a 1% da receita bruta da concessionária, pode representar um prejuízo de até R$ 14 milhões aos cofres públicos até o final do contrato;
  • A retirada de obras de segurança nas rodovias compromete a integridade dos usuários, configurando risco à vida e à segurança viária;
  • A justificativa técnica apresentada pelo Estado foi considerada vaga e insuficiente, sem estudo comparativo que demonstrasse a necessidade das mudanças;
  • A empresa já teria ciência prévia de condições como a isenção de eixos suspensos — argumento que agora tenta usar para sustentar desequilíbrio contratual.

“A Administração Pública deve motivar com clareza os atos que alteram contratos administrativos, especialmente quando envolvem renúncia de receita e supressão de direitos coletivos”, destacou o magistrado na decisão.

Efeitos imediatos para o Estado e a população

Com a suspensão do aditivo, o Estado mantém sua expectativa de receita e a concessionária segue obrigada a cumprir integralmente as obrigações previstas no contrato original. Isso significa:

  • Reforço na arrecadação pública, com manutenção da cobrança da outorga;
  • Preservação das exigências de obras e melhorias nas rodovias MT-320 e MT-208;
  • Limitação de ações unilaterais por parte do Executivo, reforçando o controle técnico e jurídico sobre concessões públicas.

Próximos passos

O processo entra agora em fase de instrução probatória, em que o Estado, a AGER e a Via Brasil poderão apresentar documentos e provas técnicas que sustentem a legalidade do aditivo. A decisão liminar poderá ser revista por instâncias superiores, mas segue válida até nova deliberação.

O Ministério Público também atua no caso como fiscal da lei e já se manifestou favorável à suspensão dos efeitos do aditivo.

Declaração de Faissal

Em nota à imprensa, o deputado comemorou o resultado:

“Essa decisão é uma vitória da moralidade administrativa e da segurança jurídica. Não podemos aceitar que empresas recebam favores do Estado em detrimento do povo e das finanças públicas. Continuaremos vigilantes”, afirmou.

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