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Mortes por metanol sobem para 7. MT já está entre os mais afetados

Mortes por metanol sobem para 7. MT já está entre os mais afetados

BEBIDAS ADULTERADAS

Mortes por metanol sobem para 7. MT já está entre os mais afetados

Politec confirma mais dois óbitos por intoxicação após análises toxicológicas. Investigação busca identificar responsáveis pela produção e distribuição

Mato Grosso voltou a registrar novas vítimas da intoxicação por metanol, substância altamente tóxica utilizada irregularmente na adulteração de bebidas alcoólicas.

A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) confirmou mais duas mortes relacionadas ao consumo de bebidas contaminadas, elevando para sete o número de óbitos provocados pela substância no Estado, desde o início do surto, em 2025.

As novas confirmações foram divulgadas na segunda-feira (20), após exames toxicológicos realizados pelo laboratório forense da Politec detectarem a presença de metanol em amostras de sangue encaminhadas pelo Instituto Médico Legal (IML).

As vítimas são Ana Carolinne Gomes Carlos, de 31 anos, que morreu em 12 de julho, no município de Novo Santo Antônio (1.063 km a Nordeste de Cuiabá), e Kaio Samuel Mendes, de 23 anos, morador de Aripuanã (1.002 km a Noroeste), que faleceu no dia 8 de julho.

Ambos consumiram bebidas alcoólicas que, segundo as investigações, estavam adulteradas com a substância tóxica.

Com os novos laudos, Mato Grosso contabiliza sete mortes oficialmente relacionadas ao surto de intoxicação por metanol.

Os casos já confirmados ocorreram nos municípios de Itanhangá, Várzea Grande, Nova Brasilândia, Querência, Novo Santo Antônio e Aripuanã.

Além dos óbitos, outras seis pessoas sobreviveram após quadros graves de intoxicação e precisaram receber o antídoto específico disponibilizado pela rede pública de Saúde.

As autoridades sanitárias acompanham a evolução dos casos e mantêm vigilância para identificar possíveis novos pacientes com sintomas compatíveis.

A gravidade da situação levou Mato Grosso a figurar entre os estados brasileiros mais afetados pela crise nacional das bebidas adulteradas.

Na semana passada, auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou o Estado ao lado de São Paulo, Pernambuco, Paraná, Bahia e Rio Grande do Sul como as unidades da Federação com maior número de ocorrências relacionadas à intoxicação por metanol.

O levantamento foi determinado pelo presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, para avaliar a atuação dos órgãos federais responsáveis pela fiscalização da produção e comercialização de bebidas alcoólicas.

Segundo o relatório, o Brasil ainda atua predominantemente de forma reativa, concentrando esforços apenas após o surgimento de surtos de intoxicação.

Entre as principais falhas identificadas, estão a ausência de mecanismos eficazes para impedir o desvio de etanol destinado à indústria, deficiência no controle da produção de bebidas, baixa integração entre órgãos fiscalizadores e limitações nas ações preventivas baseadas em análise de risco.

O metanol é um álcool industrial utilizado como solvente e matéria-prima em diversos processos químicos.

Quando ingerido, é transformado pelo organismo em compostos altamente tóxicos, capazes de provocar lesões irreversíveis no sistema nervoso e no nervo óptico.

Nos casos mais graves, a intoxicação pode causar insuficiência respiratória, falência de órgãos e morte.

O tratamento depende da rapidez no atendimento médico, sendo fundamental a administração precoce do antídoto para reduzir os danos provocados pela substância.

A Polícia Civil segue investigando a origem das bebidas adulteradas e trabalha para identificar os responsáveis pela fabricação e comercialização dos produtos contaminados.

As autoridades orientam que qualquer pessoa que apresente sintomas como visão embaçada, dores abdominais intensas, náuseas, vômitos, tontura ou dificuldade para respirar após consumir bebida alcoólica procure imediatamente atendimento médico.

Segundo especialistas, o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sobrevivência e reduz o risco de sequelas permanentes.

Enquanto a investigação avança, órgãos de saúde reforçam o alerta para que consumidores adquiram bebidas apenas em estabelecimentos regularizados e desconfiem de produtos vendidos sem procedência ou com preços muito abaixo dos praticados pelo mercado.

Mortes confirmadas em Mato Grosso

• Itanhangá — mulher, 42 anos

• Várzea Grande — mulher, 30 anos

• Nova Brasilândia — homem, 33 anos

• Querência — homem, 24 anos

• Querência — mulher, 37 anos

• Novo Santo Antônio — Ana Carolinne Gomes Carlos, 31 anos

• Aripuanã — Kaio Samuel Mendes, 23 anos

• Total: 7 mortes

Fonte: Joanice de Deus - Diário de Cuiabá

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