Um caso inusitado envolvendo a troca de identidades entre dois primos por mais de duas décadas terminou com reconhecimento oficial da Justiça em Alta Floresta. A decisão autorizou a regularização definitiva dos nomes utilizados pelos dois ao longo da vida adulta, após uma história que começou ainda em 2002 por causa do sonho de um deles em jogar futebol profissional.
Segundo o advogado Fernando Leite da Silva, responsável pelo caso, a troca aconteceu para permitir que o primo mais novo pudesse seguir carreira no futebol. A partir disso, os dois passaram a utilizar os nomes invertidos em praticamente todos os atos da vida civil.
Conforme a defesa, um dos primos chegou a atuar profissionalmente no futebol europeu utilizando a identidade trocada, inclusive obtendo passaporte e demais documentos oficiais no nome do familiar. Após sofrer uma lesão, ele retornou ao Brasil, mas ambos continuaram vivendo normalmente com os nomes invertidos.
Ao longo de mais de 20 anos, a situação acabou sendo consolidada socialmente. Um dos envolvidos se casou, o outro teve filhos, houve abertura de empresa e diversos registros foram realizados utilizando as identidades trocadas. Bancos, órgãos públicos, INSS, Ministério do Trabalho e até familiares já reconheciam os dois pelos nomes utilizados irregularmente.
A situação veio à tona em 2024, quando os primos acabaram presos em decorrência da inconsistência documental. Segundo o advogado, a defesa conseguiu a liberdade dos dois e posteriormente firmou um acordo com o Ministério Público para encerrar a questão criminal.
Uma das exigências do acordo, porém, era justamente a regularização definitiva da documentação.
Diante disso, a defesa ingressou com uma ação judicial explicando que, após mais de duas décadas, a troca de nomes havia se tornado uma realidade consolidada na vida pessoal, profissional e patrimonial dos dois homens.
A Justiça de Alta Floresta reconheceu a situação excepcional e autorizou oficialmente a retificação dos registros civis, permitindo que ambos permanecessem legalmente com os nomes que utilizaram durante a maior parte da vida.
De acordo com o advogado, o caso chama atenção porque muitas pessoas vivem situações semelhantes envolvendo erros ou conflitos documentais e acabam não procurando ajuda jurídica por medo ou insegurança.
A decisão já resultou na emissão das novas certidões de retificação, encerrando oficialmente um caso considerado raro e incomum até mesmo no meio jurídico.





