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Em MT, 84 municípios têm crianças na fila de espera por creches

Em MT, 84 municípios têm crianças na fila de espera por creches

PROBLEMA NO ENSINO INFANTIL

Em MT, 84 municípios têm crianças na fila de espera por creches

Estado ainda enfrenta déficits na oferta de vagas, planejamento, transparência e equidade no atendimento às crianças de 0 a 5 anos

Divulgação

Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, 10.263 crianças ainda aguardam por uma vaga em creches em 84 (59%) dos 142 municípios de Mato Grosso. A maior demanda está concentrada entre crianças de até 1 ano de idade, faixa considerada estratégica para o desenvolvimento infantil.

São mais de 5,2 mil (52%) pequeninos de zero a um ano e 11 meses. Essa realidade é retratada na cartilha “Diagnóstico Creches e Pré-Escolas Mato Grosso 2025”, da Comissão Permanente de Educação e Cultura, do Tribunal de Contas (Copec/TCE).

O estudo traz dados atualizados sobre a oferta de vagas, filas de espera e estrutura da educação infantil nas cidades mato-grossenses. De acordo com o TCE, a iniciativa visa orientar gestores para a superação de gargalos e ampliação do acesso no ensino infantil.

“A primeira infância é a fase que mais impacta o desenvolvimento da criança e, por isso, a educação infantil precisa ser tratada como prioridade. Esta cartilha é um instrumento que vai orientar os municípios nessa missão de transformar dados em ação concreta”, disse o presidente da Copec, conselheiro Antonio Joaquim.

O levantamento mostra que Mato Grosso conta atualmente com 656 creches públicas, das quais 448 (68%) funcionam em prédios exclusivos e 208 (32%) compartilham espaço com outras etapas do ensino.

Ao todo, 79.576 crianças estão matriculadas, com maior concentração nas faixas etárias mais próximas da pré-escola. Do total, são 34.079 (43%) meninos e meninas dos 3 anos a 2 anos e 11 meses. Apenas 109 cidades (77%) oferecem atendimento a partir da idade mínima prevista em lei.

Para o TCE, esse dado revela desigualdades regionais e limitações na capacidade de planejamento local. Além disso, somente 47 (33%) cidades têm obras em andamento e nove (5%) possuem serviços paralisados em creches públicas.

Entre as principais dificuldades para ampliação das vagas estão falta de espaço físico para novas turmas, recursos financeiros insuficientes, necessidade de mais profissionais e manutenção e adequação dos prédios existentes.

São apontados problemas como a ausência de sistemas informatizados de controle de vagas (46%), a falta de critérios objetivos de priorização às vagas (48%) e a inexistência de instrumentos essenciais, como o Plano de Expansão de Vagas e o Plano Municipal pela Primeira Infância.

De acordo com a Tribunal de Contas do Estado, apesar dos avanços nos últimos anos, o diagnóstico mostra que o Estado ainda enfrenta déficits significativos em relação à oferta de vagas, planejamento, transparência e equidade no atendimento às crianças de 0 a 5 anos.

Buscando reverter essa realidade, ainda em novembro deste ano, o TCE-MT aprovou uma nota recomendatória orientando os municípios a adotarem medidas estruturantes para garantir o acesso pleno à educação infantil, inclusive mediante parcerias com entidades filantrópicas ou privadas quando necessário.

Os gestores devem ainda manter listas de espera atualizadas e publicadas em páginas eletrônicas oficiais e implantem sistemas informatizados para o controle da demanda.

A nota recomenda também que os municípios que ainda não iniciaram a elaboração do Plano de Expansão de Vagas e do PMPI adotem providências imediatas.

Fonte: Joanice de Deus - Diário de Cuiabá

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