O dólar fechou em alta nesta quarta-feira (16), com investidores ainda à espera de definições sobre os gastos fora do teto que serão incluídos na PEC da Transição e sobre quem será o ministro da Fazenda do governo Lula.
A moeda norte-americana encerrou o dia vendida a R$ 5,3806, em alta de 1,53%. Na máxima do dia, encostou nos R$ 5,40, a R$ 5,3979. Veja mais cotações.
Com o resultado, a moeda acumula alta de 4,17% frente ao real no mês. No ano, apresenta queda de 3,48%.
O que está mexendo com os mercados?
No cenário local, os investidores esperam a definição de quem estará na equipe econômica de Lula a partir do próximo ano.
Para cumprir com as principais promessas de campanha de Lula – com destaque para a continuidade do Auxílio Brasil de R$ 600, um auxílio extra de R$ 150 para crianças pequenas e reajuste do salário mínimo –, o governo de transição planeja criar a PEC da Transição, que liberaria cerca de R$ 175 bilhões no Orçamento de 2023 além do teto de gastos.
Para economistas, o furo do teto de gastos leva à desvalorização do real, afugenta investidores, leva o país ao endividamento e traz inflação maior, o que força o Banco Central a manter as taxas de juros elevadas e desvaloriza os ativos brasileiros.
No cenário externo, a China e os Estados Unidos exerciam as maiores influências. “Os mercados são impulsionados pelo abrandamento da inflação nos Estados Unidos e otimismo de ver a China adotar políticas mais favoráveis ao crescimento”, disse Lee Hardman, analista de moeda no MUFG.
No entanto, Chris Turner, chefe global dos mercados na ING, disse que é provável que o dólar volte a se fortalecer à medida que as preocupações sobre a economia global regressam.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o presidente da China, Xi Jinping, realizaram uma reunião de três horas na segunda-feira em Bali, no G20, e o anúncio de comunicações mais frequentes entre os dois países foi bem recebida pelos mercados.
O Federal Reserve (BC dos EUA) pode abrandar o ritmo dos aumentos de juros em sua próxima reunião, mas isso não deve ser visto como um “abrandamento” em seu compromisso de reduzir a inflação, disse o diretor do banco central norte-americano Christopher Waller.
Relatório divulgado na semana passada que mostrou uma inflação mais lenta do que o esperado em outubro foi “uma boa notícia”, mas “apenas um dado” que precisa ser seguido por outras leituras semelhantes para mostrar de forma convincente que a inflação está diminuindo, afirmou.





