O comércio de Mato Grosso começou 2026 em ritmo de crescimento acima da média nacional. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que as vendas do varejo ampliado no estado cresceram 8,6% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025. No cenário nacional, a alta registrada foi de 1,9%.
Os números reforçam a retomada da atividade econômica mato-grossense após um período de desaceleração observado ao longo de 2024. Desde o início deste ano, setores como comércio, serviços e indústria vêm apresentando recuperação gradual e resultados positivos.
Segundo o presidente da FCDL Mato Grosso, David Pintor, o desempenho demonstra a força do setor produtivo e a capacidade de reação da economia estadual.
“O varejo voltou a ganhar fôlego, impulsionado pela confiança do consumidor, pela retomada da atividade econômica e pelo empenho dos empresários que seguem investindo no crescimento do estado”, afirmou.
Além do varejo ampliado, o comércio varejista também apresentou crescimento no trimestre, com avanço de 1,8%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, as vendas do setor cresceram 6,7%, consolidando o processo de recuperação econômica local.
O setor de serviços registrou desempenho ainda mais expressivo. Conforme o IBGE, o volume de serviços prestados em Mato Grosso cresceu 10,8% no primeiro trimestre de 2026, enquanto a média nacional ficou em 2,3%.
Na indústria, o estado também superou o desempenho brasileiro. A produção industrial avançou 5,3% no período, frente ao crescimento nacional de 1,3%. Somente no mês de março, o setor industrial mato-grossense teve alta de 3,6% em relação ao mês anterior.
Para David Pintor, os números demonstram equilíbrio entre diferentes segmentos da economia estadual.
“Mato Grosso segue crescendo em comércio, serviços e indústria, fortalecendo a geração de emprego, renda e o ambiente de negócios”, destacou.
No mercado de trabalho, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que Mato Grosso encerrou março com saldo negativo de 1.716 vagas formais. Apesar disso, o acumulado do primeiro trimestre permaneceu positivo, com a criação de 22.106 empregos com carteira assinada.
O setor de serviços liderou a geração de empregos, com saldo de 9.444 vagas, seguido pela agropecuária, com 4.051 postos, e pela construção civil, com 3.857. O comércio também registrou saldo positivo, com 2.015 novas vagas formais.
Outro destaque da economia estadual foi o desempenho das exportações. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apontam que Mato Grosso exportou US$ 11,7 bilhões entre janeiro e abril de 2026, crescimento de 27,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
A soja permaneceu como principal produto exportado pelo estado, representando 52,4% das exportações. Em seguida aparecem a carne bovina, com 13%, e o algodão, com 10,9%.
A China segue como principal destino das exportações mato-grossenses, concentrando 42,8% do total comercializado pelo estado no mercado internacional.
Apesar do cenário positivo, especialistas alertam para o aumento da inadimplência e a desaceleração do crédito. Dados do Banco Central mostram que o saldo de crédito para pessoas físicas em Mato Grosso chegou a R$ 179,1 bilhões em março de 2026, com crescimento de 7,6% em relação ao ano anterior.
Já a inadimplência bancária entre pessoas físicas, considerando atrasos superiores a 90 dias, alcançou índice de 6,2%.
Segundo David Pintor, o momento exige cautela para garantir crescimento sustentável nos próximos meses.
“É importante acompanhar o comportamento do crédito e da inadimplência para manter o equilíbrio financeiro das famílias e empresas ao longo de 2026”, concluiu.





