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Alta Floresta sofre com falta de voos e entra no centro do debate sobre malha aérea em MT

Alta Floresta sofre com falta de voos e entra no centro do debate sobre malha aérea em MT

Conectividade

Alta Floresta sofre com falta de voos e entra no centro do debate sobre malha aérea em MT

Reunião com a Azul Linhas Aéreas em Cuiabá aponta demanda reprimida, voos lotados e necessidade urgente de ampliar frequências no interior do estado

Uma reunião realizada na tarde desta quarta-feira (18), em Cuiabá, entre representantes do trade turístico de Mato Grosso e a Azul Linhas Aéreas, escancarou um problema que vem sendo sentido com força no interior do estado: a falta de voos regulares, especialmente em municípios estratégicos como Alta Floresta.

O encontro reuniu empresários, lideranças do setor e autoridades públicas, que apontaram uma demanda reprimida por conectividade aérea. Entre os principais pontos discutidos estão a ampliação das frequências regionais, a retomada de rotas descontinuadas e o avanço na criação de uma ligação internacional, com destaque para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.

Para Alta Floresta, o cenário é ainda mais sensível. O município, considerado uma das principais portas de entrada para o turismo no norte de Mato Grosso, sobretudo para destinos como a Amazônia e o turismo de pesca, enfrenta impactos diretos com a redução e instabilidade dos voos. A recente suspensão e incerteza na malha aérea que atende a cidade têm gerado críticas de lideranças locais e prejuízos ao setor produtivo.

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, classificou o momento como decisivo para reestruturação do setor. Segundo ele, o governo trabalha em mecanismos como a subvenção internacional para viabilizar novas rotas e tornar o estado mais competitivo.

“Temos condições de avançar com voos regionais, nacionais e internacionais. Estamos ajustando instrumentos para isso e queremos construir soluções que sejam viáveis para todos: empresas, passageiros e o estado”, afirmou.

Entre os pleitos apresentados, lideranças destacaram a necessidade urgente de ampliar frequências para cidades do interior como Sinop, Sorriso e, principalmente, Alta Floresta, além da retomada de destinos como Juína e Barra do Garças.

O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens em Mato Grosso, Omar Canavarros, reforçou que o problema não é falta de passageiros, mas sim de oferta.

“Os voos vivem lotados. Muitas vezes o passageiro não encontra disponibilidade, mesmo com antecedência. Existe demanda clara, mas ela não está sendo atendida”, pontuou.

Outro ponto levantado foi o impacto econômico causado pela escassez de voos. O presidente da Fecomércio-MT, José Wenceslau Junior, destacou que a ausência de rotas tem levado empresários a buscar alternativas como transporte rodoviário.

“Quando não há voo, o empresário encontra outro meio. Cresceu muito a locação de vans e ônibus para o interior. Isso comprova que a demanda existe, mas não está sendo absorvida pela aviação”, disse.

Ele também chamou atenção para o perfil econômico de cidades como Alta Floresta, que recebem investidores e visitantes ligados ao agronegócio e ao turismo, exigindo previsibilidade e regularidade nos voos.

Apesar da recente retomada pontual de operações em algumas rotas, incluindo Alta Floresta, o setor avalia que a comunicação ainda é falha e não atinge o consumidor final de forma eficiente, principalmente aqueles que compram passagens fora de agências.

A Azul reconheceu a necessidade de ajustes e sinalizou abertura para reavaliar frequências, destinos e estratégias de divulgação, buscando melhorar a ocupação e atender à demanda apresentada.

Ao final da reunião, ficou definido o compromisso de continuidade o diálogo entre governo, setor produtivo e companhia aérea, com o objetivo de alinhar oferta e demanda e fortalecer a malha aérea de Mato Grosso, considerada peça-chave para o desenvolvimento econômico, turístico e logístico do estado, com atenção especial a polos estratégicos como Alta Floresta.

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