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Resíduos do suco de laranja podem virar produtos de alto valor, aponta pesquisa

Resíduos do suco de laranja podem virar produtos de alto valor, aponta pesquisa

Resíduo do suco

Resíduos do suco de laranja podem virar produtos de alto valor, aponta pesquisa

Estudo da UFSCar identificou compostos bioativos em cascas, bagaço e resíduos líquidos e testou métodos mais sustentáveis de recuperação

Valter Campanato/Agência Brasil

Resíduos gerados durante a produção industrial de suco de laranja podem deixar de ser apenas um problema ambiental e se transformar em fonte de compostos de alto valor agregado. É o que aponta uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

O estudo, publicado na revista cultivar, analisou diferentes resíduos produzidos ao longo do processamento da fruta, incluindo cascas, sementes, bagaço, óleos essenciais e águas residuais. Os pesquisadores identificaram substâncias com potencial de utilização nas indústrias de alimentos, cosméticos e medicamentos.

A pesquisa foi conduzida por pesquisadores do Departamento de Química da UFSCar, em parceria com cientistas da Alemanha. Entre os compostos identificados está a hesperidina, um flavonoide associado a propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Segundo os pesquisadores, embora essas substâncias tenham valor comercial, sua presença nos resíduos também pode provocar problemas durante o processamento industrial, como obstruções em equipamentos e tubulações e alterações nas características dos materiais descartados.

A recuperação desses compostos, portanto, pode transformar um problema operacional e ambiental em uma oportunidade econômica, dentro de uma lógica de economia circular.

Métodos mais sustentáveis

Para identificar e recuperar as substâncias presentes nos resíduos, os pesquisadores combinaram diferentes técnicas de análise química.

A ressonância magnética nuclear (RMN) teve papel central no estudo por permitir a análise de misturas complexas com pouca preparação das amostras. Os resultados foram complementados por técnicas de cromatografia líquida e gasosa.

Também foi utilizada a extração assistida por micro-ondas, método que pode reduzir etapas do processo e tornar a recuperação de compostos bioativos mais eficiente e ambientalmente adequada.

Os pesquisadores conseguiram rastrear substâncias de interesse em diferentes etapas da cadeia produtiva, inclusive no bagaço da laranja.

Hesperidina e outros compostos

De acordo com o estudo, a hesperidina foi extraída do bagaço com elevado grau de pureza por meio do método assistido por micro-ondas. As análises indicaram 87,66% de pureza por RMN e 84,30% por cromatografia líquida de alta eficiência.

Além da hesperidina, foram identificados outros compostos de interesse, entre eles D-limoneno, valenceno, α-pineno, sabineno, β-mirceno e linalol.

O valenceno, pertencente à classe dos terpenos, apresenta interesse comercial especialmente para setores como cosméticos e medicamentos.

Resíduo líquido também apresenta potencial

Um dos resultados chamou atenção dos pesquisadores: a chamada “água amarela”, um resíduo líquido produzido na etapa final do processamento do suco, apresentou elevada concentração de limoneno.

Segundo Antonio Gilberto Ferreira, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, a presença do terpeno pode dificultar a fermentação necessária para o tratamento adequado desse resíduo.

A identificação da substância permite compreender melhor o problema e buscar alternativas para o tratamento da biomassa antes do descarte.

Para os pesquisadores, o estudo demonstra que o aproveitamento dos resíduos da indústria de sucos pode contribuir simultaneamente para a redução de impactos ambientais, melhoria dos processos industriais e geração de novas oportunidades econômicas.

A pesquisa foi financiada pela Fapesp e pelo CNPq, entre outras iniciativas de apoio à ciência e inovação.

Fonte: Revista Cultivar

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