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Inflação, safra e guerra fazem a cesta básica de MT a 7ª mais cara do país

Inflação, safra e guerra fazem a cesta básica de MT a 7ª mais cara do país

Inflação, safra e guerra fazem a cesta básica de MT a 7ª mais cara do país

Os preços dos alimentos que fazem parte da cesta básica tiveram aumento de 26,75% nos últimos meses no Brasil, segundo medição pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O acréscimo nos itens essenciais de consumo foi sentido também em Mato Grosso, em especial na Capital. Atualmente, a cesta básica em Cuiabá é  7ª mais cara do país, e está no patamar R$ 695,63, o que compromete quase 60% do salário mínimo (R$ 1,2 mil). Inflação, safra e a guerra no Leste europeu impactam nos itens que chegam à mesa dos mato-grossenses. 

Porém, analistas apontam para uma estabilização de preços dos itens, que começou a ser sentida com leves retrações de valor nas primeiras semanas de junho. Porém, ainda em patamar muito alto. 

No levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), na quarta semana de junho, a cesta básica chegou a R$ 695,63, uma queda de R$ 4,39 (0,63%) em relação à semana anterior, quando o valor ficou fixado em R$ 700. Uma semana antes, o valor ficou em R$ 709,28.

“A partir de agora vai depender do aumento da gasolina, então a gente acha que vai crescer um pouco. No cenário atual, de certa forma, está estabilizado”, contextualiza a assistente de pesquisa da Fecomércio, Laysa Avalos.

Com base nessa pesquisa, Mato Grosso tem a 7º cesta básica mais cara do país. Mais barato que em Campo Grande, que registrou a cesta em R$ 715,81. Em comparação, a cesta mato-grossense perde para a de Vitória, cujo valor gira em torno de R$ 682,54.

Ainda na pesquisa da IPF-MT, foi observado que 47% dos alimentos apresentaram redução, sendo que o principal produto foi o tomate, que obteve um recuo de -14,92% em relação a semana passada, o segundo declínio deste mês. Já a banana, que vinha em queda desde o começo de junho, nesta semana teve alta de 9,42%, uma média de R$ 5,67. Esse aumento pode ser associado à baixa oferta do produto nos supermercados, segundo a pesquisa.

A batata também registou queda em seu valor no comparativo com a semana passada, resultando em uma variação semanal de -13,72%.

De acordo com a assistente de pesquisa da Fecomércio, os critérios para definir a formação da cesta básica seguem uma metodologia, já aplicada por institutos de outras regiões do país. Isso acontece porque cada local tem uma alimentação particular, com inclusão de produtos regionais.

Alimentos como arroz, feijão, farinha, batata inglesa, tomate, açúcar cristal, banana, carne, leite, pão francês, óleo de soja, margarina e café em pó são alguns dos itens analisados, cuja evolução dos preços serviram como parâmetro para o índice.

Quem é o “vilão” e o “mocinho” da cesta atualmente?

Laysa avalia que nas últimas semanas o preço do tomate e da batata estavam “pesando” no custo da cesta básica. Ela explica que além da inflação, comportamento da safra também influencia no preço desses alimentos, principalmente nos fruta, legumes e hortifrutis.

“O tomate foi um vilão há um mês, dois. Agora ele já está baixando, justamente pelo clima que as safras têm. Porque a inflação pesa também nos alimentos, óbvio, mas a safra, o clima, pesa muito também. Principalmente em cada região, em que algum alimento chega mais barato aqui”, pontua.

Agora, o aumento está incidindo no leite também devido ao período de entressafra que começa com a seca. “O leite e a manteiga têm crescido bastante, e eles são elementos para muitos ingredientes, muitas receitas. A farinha de trigo também, principalmente por conta da guerra da Rússia contra a Ucrânia”.

Por outro lado, dois itens podem começar a dar um alívio no bolso dos consumidores: a própria batata e a carne. “A batata e a carne também estava baixando um pouco. Esses são itens, na verdade, que estão fora desses escopos de safra e que também não são tão impactados por exemplo pela guerra”, avalia.

Com sacolas de verduras nas mãos, o autônomo Donizete Leodoro tem acompanhado o preço do tomate nas últimas semanas. Ele aponta que a batata e a cebola também pesaram no bolso no fim do mês. “Agora que está diminuindo um pouquinho. A cenoura também está diminuindo um pouco, chegou a mais de R$ 10”, observa.

Ele teve que buscar outras alternativas para substituir o tomate na salada ou reduzir a compra. “Alface, uma couve, alguma coisa assim. Tomate não dá pra ficar sem, você diminui a quantidade, mas eu sempre levo ele”.

Estabilidade da cesta

Por conta da gasolina, a pesquisadora prevê que pode ocorrer um aumento no valor da cesta básica nas próximas semanas. “Tivemos também cinquenta dias sem o aumento da gasolina. Talvez aumente o preço da cesta básica daqui pra frente, na próxima semana”.

Ainda de acordo com Laysa, Mato Grosso tem uma vantagem por não ter a gasolina mais cara do país, já que o transporte de alimentos também influencia no valor final. Como as safras do tomate e da batata também melhoraram, a cesta básica mato-grossense tem grandes chances de se estabilizar.

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