A colheita da segunda safra de milho 2025/26 em Mato Grosso entrou na reta final. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), aproximadamente 80% das áreas cultivadas já foram colhidas até esta quinta-feira (23). Mantido o ritmo atual dos trabalhos, a expectativa é de que a colheita seja concluída entre a primeira e a segunda semana de agosto.
Segundo o coordenador de Inteligência de Mercado do Imea, Rodrigo Silva, o avanço da colheita segue próximo da média histórica e deve ganhar ainda mais intensidade nos próximos dias.
Além do bom andamento da colheita, a produtividade da safra também chama a atenção. O levantamento do Imea indica rendimento superior a 128,64 sacas por hectare, estabelecendo um novo recorde para o Estado. Na safra anterior, a média foi de 127 sacas por hectare.
A estimativa mais recente do projeto Imea em Campo aponta que Mato Grosso deverá produzir 57,06 milhões de toneladas de milho, volume 2,92% superior ao registrado na safra 2024/25. O crescimento é atribuído à ampliação da área plantada e às condições climáticas favoráveis durante o desenvolvimento das lavouras na maior parte do Estado.
Valor da produção cresce
Com a expectativa de uma safra histórica, o Valor Bruto da Produção (VBP) do milho também foi revisado para cima. A projeção do Imea é de que o cereal movimente R$ 42,27 bilhões em 2026, crescimento de quase 8% em relação ao ano anterior.
Com esse desempenho, o milho passa a representar 25,74% dos R$ 164,22 bilhões estimados para toda a produção agrícola de Mato Grosso.
Segundo o instituto, o resultado é sustentado pelo preço médio projetado para a safra, que permanece acima do registrado na temporada anterior, mesmo diante da elevada oferta do grão.
Custos de produção recuam
O levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuária (CPA MT), realizado pelo Imea em parceria com o Senar Mato Grosso, também aponta redução em parte dos custos para a próxima safra.
Em junho, os gastos com fertilizantes e corretivos recuaram 2,38%, sendo estimados em R$ 1.532,66 por hectare. A queda foi favorecida pela normalização da logística internacional, especialmente no Oriente Médio, o que ampliou a oferta dos insumos e reduziu os preços.
Os custos com defensivos também apresentaram leve redução, enquanto as despesas com sementes registraram pequena alta, limitando uma queda maior no custo total de produção.
Com isso, o Custo Operacional Efetivo (COE) foi estimado em R$ 5.493,40 por hectare e o Custo Operacional Total (COT) em R$ 6.057,70 por hectare, ambos cerca de 0,6% inferiores aos registrados no mês anterior.
Preço ainda preocupa produtores
Apesar do cenário positivo para a produção, o Imea destaca que a rentabilidade continua sendo um desafio. Considerando a produtividade estimada de 128,64 sacas por hectare, o produtor precisará vender o milho por, no mínimo, R$ 42,70 por saca para cobrir o Custo Operacional Efetivo e R$ 47,09 por saca para cobrir o Custo Operacional Total.
A projeção de preço para a safra 2026/27 é de R$ 44,76 por saca, valor suficiente para cobrir os custos operacionais diretos, mas ainda abaixo do necessário para remunerar integralmente todos os custos da atividade, indicando que a margem do produtor seguirá pressionada, mesmo diante da safra recorde.





