Os mato-grossenses que foram absorvidos pelo mercado de trabalho em abril receberam um salário médio menor do que o registrado em igual mês de 2015. O valor pago no Estado foi de R$ 1.261,04, variação negativa de 2,36% frente ao ano passado, quando a remuneração inicial foi de R$ 1.291,53. No país, a queda foi de 1,37% na mesma base comparativa, passando de R$ 1.376,33 para R$ 1.357,38. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministé- rio do Trabalho e Emprego (MTE).
A auxiliar de produção Maria da Silva Ferreira, 28, há 3 anos trabalha em uma empresa em Várzea Grande, e recebe R$ 880 mensais como salário. Ela relata que neste período só recebeu aumento de acordo com o salário mínimo. “Este é um valor insuficiente para eu conseguir fazer tudo o que gostaria”, lamenta. Maria explica que não tem filhos e mora com a mãe, razão pela qual é possível ao menos garantir o suficiente para sobreviver. Mas reclama da falta de opções no mercado de trabalho que remunere melhor para que não tem graduação.
O economista Antônio Humberto avalia que o valor pago como salário médio de admissão é típico entre as classes mais pobres, com baixo nível de escolaridade. “Este é um perfil que se enquadra no que chamamos na economia de exército de mão de obra reserva”.
Humberto explica que a teoria surgiu com Karl Marx, século 19, e possui forte representação no contemporâneo, já que há aumento no nível de desemprego. “Vale ressaltar que este grupo que compõe o exército ou são trabalhadores que ficaram desempregados, ou são aqueles que estão à procura de um emprego pela 1ª vez. Com isso, neste tempo no qual há grande demanda por emprego e excesso de pessoas pressionando o mercado de trabalho, a tendência é que os salários diminuam como ocorreu no salário médio de admissão”.
O economista pondera que este valor não é efetivo na prática, já que só de desconto com a contribuição previdenciária são diminuídos pelo menos 20%. Dessa forma, o trabalhador que teve como valor pago na admissão no novo emprego equivalente a R$ 1.261,04, vai receber de fato em média R$ 1.008,82. “Esta é a triste realidade do mercado de trabalho brasileiro”, declara o economista Antônio Humberto.
Fonte: Gazeta Digital





