A Polícia Federal cumpriu 13 mandados em três municípios da região Norte do Estado durante a Operação Rios Voadores, deflagrada pela Superintendência da PF do Pará. O objetivo da ação é desarticular organização criminosa especializada em desmatamento ilegal e grilagem de terras públicas federais. Segundo a PF, em Sinop, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e dois de busca e apreensão; Em Sorriso, foram dois de prisão preventiva, uma condução coercitiva e um mandado de busca e apreensão. Já no município de Guarantã do Norte foram dois de prisão preventiva e uma busca e apreensão.
Ao todo são cumpridas 51 medidas judiciais sendo 24 prisões preventivas, nove conduções coercitivas e 18 mandados de busca e apreensão, em empresas e casas pertencentes aos investigados.
O crime
Conforme as investigações, após arrendamento das terras usurpadas, elas eram usadas pelo grupo para o desenvolvimento de atividade econômica agropecuária.
As investigações começaram após a Operação Kaiapó, realizada pelo Ibama, em 2014, durante fiscalização no interior e no entorno da Terra Indígena Menkragnoti, situada em Altamira (PA). Na época, foram apreendidas 26 motosserras e 3 motocicletas, além de desmontados 11 acampamentos. Também foram detidas 40 pessoas e identificado o responsável pelo desmatamento da área embargada (mais de 13 mil hectares).
De acordo com a Polícia Federal, o principal investigado no esquema desmatou, entre 2012 e 2014, mais de 29 mil hectares. Ele foi multado pelo Ibama em R$ 119 milhões. Segundo informações da Receita Federal do Brasil, a organização criminosa movimentou mais de R$ 1 bilhão, entre os anos de 2012 e 2015, por meio de pessoas físicas e jurídicas. Grande parte de origem ilícita ou incompatível com os rendimentos dos titulares das contas.
Os principais investigados e beneficiados eram protegidos por outros membros da organização que serviam como “testas de ferro”. Mediante a falsificação de documentos e outras fraudes, estas pessoas de confiança dos cabeças da organização criminosa assumiam a propriedade da terra grilada por seus “patrões” chegando a admitir a prática de crimes ambientais. Eles preservam o nome dos reais autores da conduta, quando flagrados em fiscalizações do Ibama realizada durante uma das fases da investigação.
Julia Munhoz
de Sinop





