AComissão de Direitos Humanos da Ordem de Advogados do Brasil – Mato Grosso (OAB-MT) encaminhou ofícios ao secretário de Segurança Pública do Estado, César Augusto Roveri, e ao Procurador Geral de Justiça, Deosdete Cruz Júnior, solicitando abertura de inquérito e investigação por suposta tortura contra o jovem de 17 anos, Pedro Henrique Ribeiro.
A mãe do adolescente, Leudiane Ribeiro, acusa agentes da Polícia Militar de Peixoto do Azevedo (a 674km de Cuiabá) de terem agredido o rapaz durante abordagem policial e de se recusarem apresentar informações sobre o paradeiro dele após a suposta ocorrência.
O menor desapareceu no dia 6 de outubro depois que teria sido visto dentro do 22º Batalhão Militar do Município, por sua prima. Ao denunciar o caso, a mãe dele afirmou que o mesmo foi avistado entrando na casa de um casal de amigos traficantes e sendo levado por militares logo depois.
Nos documentos encaminhado pela OAB-MT, nesta quarta-feira (11), estão reunidos todos os relatos da mãe, como boletins de ocorrência, matérias na mídia, depoimento da testemunha e foto do rapaz.
Além disso, é solicitada abertura de inquérito sobre o caso e investigação em relação a conduta de um dos policiais militares que teria participado da abordagem. “Respeitosamente, requer informações a respeito da abertura de inquérito para apurar o suposto desaparecimento, bem como seja designado um Promotor de Justiça para acompanhar o caso, e sejam adotas medidas para apurar eventual crime de tortura e/ou abuso de autoridade pelo oficial da Polícia Militar”, frisa trecho dos ofícios.
O
noticiou o caso anteriormente, na ocasião conversou com Leudiane. Durante a entrevista ela demostrou que já começou a perder a esperança de encontrar o filho vivo. De acordo com as palavras dela, a maior vontade é encontrá-lo “saber como está, vivo ou morto”.
Nesta terça-feira (10), familiares e amigos fizeram uma manifestação cobrando respostas. Em um dos cartazes estava escrito “Pedro Henrique, nós queremos ele vivo ou morto pra podemos (sic) ter paz no coração. O Pedro tem família. Esse crime não vai ficar impune e não vai cair no esquecimento”.
O caso
No sábado (7), Leudiane registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil. Nele ela narra que na sexta-feira (6) foi informada que seu filho teria sido levado para o 22º Batalhão após uma abordagem policial. Ela conta que foi até o local e teve a informação de que o rapaz não estaria lá e que não havia ocorrência registrada no nome dele.
Diante da situação, a mãe afirma que procurou o menor em hospitais, casas de amigos e unidades de pronto atendimento, mas não encontrou pistas do paradeiro. Em meio à procura, o celular de Pedro Henrique teria parado de receber ligações.
Segundo a ela, o rapaz pegou a moto da prima e disse que iria cortar o cabelo, mas foi até a casa de uma amiga, casada com um traficante. Chegando lá, haveriam 4 policiais, 2 com farda e dois sem. Ainda conforme o relato, uma testemunha afirmou que a dona da casa conseguiu fugir, mas o Pedro teria sido colocado dentro de um carro, que tomou rumo ignorado.
Leudiane também explicou que não acredita na versão dos militares, de que o filho não foi levado para o local, porque a sua prima teria confirmado que viu o menor dentro do Batalhão na sexta-feira. “Quando minha prima foi lá pegar a moto, ela foi agredida moralmente. Ele (o policial) disse que ia liberar a moto porque é do trabalho dela, falou para ela agradecer que a moto é para uso do serviço e ainda mandou um recado para mim: para que eu não fosse na porta do Batalhão fazer barrado”, frisou.





