Todos os dias profissionais da enfermagem dão entrada no trabalho com uma preocupação que ronda, normalmente, a classe, mas se agravou em alta potência com a pandemia da Covid-19: o medo do contágio.
Em Mato Grosso, o pesadelo virou realidade para pelo menos 10 deles. Testaram positivo para o coronavírus, de acordo com a Confederação Nacional de Saúde, o Cofen, que fez um levantamento nacional, com dados atualizados até 15 de abril. Outros 27 estão sob suspeita em quarentena em casa. Ao todos, são 38 afastados.
Conforme apurou o
, é mais grave o estado de saúde de um enfermeiro da rede do Hospital Adauto Botelho. Idoso, de 63 anos, está na UTI da rede privada, desde 25 de março, entubado e teve que passar por uma traqueostomia, que é uma abertura emergencial na altura do pescoço, para facilitar a respiração. Tanto é complicada a situação dele que entre anteontem (16) e ontem (17) foram desmentidas várias fake news sobre suposto óbito.
Uma colega dele, do mesmo setor, mulher, diabética, de 49 anos, também está internada em UTI, em estado delicado.
Além do foco no Adauto Botelho, outro grupo de 8 profissionais da saúde, do Hospital Universitário Júlio Müller, o HUJM, entre médicos e enfermeiros, foram diagnosticados com o novo vírus. O HUJM é unidade de referência no atendimento a pacientes afetados pela pandemia, especialmente os que desenvolverem sintomas graves.
No Brasil, já são 4.089 enfermeiros e técnicos doentes ou sob suspeita. Dia 20 de março, surgiu o primeiro caso na classe. Maioria é mulher (83%), com idades entre 31 e 50 anos (61%), do Sudeste (63%). Há 30 óbitos confirmados. Nenhum deles em Mato Grosso. No mundo, estima-se que 10% da classe não escapará do contágio.
Paolo Miranda
Profissionais da Itália, fazem coração com as mãos, agradecendo carinho de pacientes e homenagens: foto faz parte de ensaio fotográfico de Paolo Miranda
Diante desta realidade, é importante estar atento tempo todo. Vestir com rigor no início da jornada as roupas para setor fechado, macacão descartável, avental impermeável descartável, máscara cirúrgica e touca cirúrgica descartáveis, máscara N95 e PFF2, que é uma espécie de respirador. Por fim, óculo ou protetor facial.
Presidente do Sisma, que é o sindicato dos profissionais da enfermagem do Estado, Oscarlino Alves, para piorar, nem todos os equipamentos estão garantidos e os que já foram entregues, alguns deles, são frágeis, como jalecos de TNT que deveriam ser impermeáveis, mas, segundo ele, não são totalmente.
Sobre o medo de contágio, “são seres humanos como outros quaisquer e imagine, nessa situação, a tensão e o drama que estão vivendo”, diz o sindicalista.
Ele afirma que, apesar de tudo, não se fala em abandonar o barco, pedir demissão, fenômeno que ocorreu em algumas localidades. “O profissional da saúde trabalha com muito amor, fez juramento, não vai desistir”.
Por estar na trincheira contra o coronavírus, mesmo com toda adversidade, a classe tem recebido de diversas formas agradecimentos e homenagens, sendo uma delas esta “chuva” de aplausos na janela, acompanhados por gritos de “força” e “parabéns”. Cuiabanos aderiram à campanha.





