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Polícia Civil apura quem financiou vida de luxo de Angeliquinha

Polícia Civil apura quem financiou vida de luxo de Angeliquinha

Investigação

Polícia Civil apura quem financiou vida de luxo de Angeliquinha

Investigadores suspeitam que estrutura encontrada na Bolívia já estava preparada antes da fuga da penitenciária de Cuiabá

A Polícia Civil de Mato Grosso investiga quem teria financiado e organizado a estrutura de luxo utilizada por Angélica Saraiva de Sá, conhecida como Angeliquinha, durante o período em que permaneceu foragida na Bolívia.

Apontada pelas autoridades como uma das lideranças da facção criminosa Comando Vermelho no Estado, ela foi localizada em Santa Cruz de la Sierra, onde vivia em uma residência de alto padrão e tinha acesso a veículos de luxo.

Segundo o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, titular da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), há indícios de que a estrutura encontrada no país vizinho já estava preparada, antes mesmo da chegada da investigada, que fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, em agosto de 2025.

A suspeita é de que a fuga tenha sido planejada com a participação de outras pessoas e que a permanência de Angeliquinha na Bolívia estivesse relacionada aos interesses da organização criminosa.

“Desde que saiu, ela foi para lá, então é outra convicção que a gente tem, é que já estava tudo organizado para que ela fosse para lá. Ela não ia para lá viver uma vida ruim”, afirmou o delegado, durante entrevista coletiva concedida na quarta-feira (21).

Conforme Freitas, a investigada passou o fim de ano em uma mansão e manteve um padrão de vida elevado em Santa Cruz de la Sierra.

A polícia ainda busca identificar quem disponibilizou os imóveis, veículos e recursos utilizados pela foragida.

Também não foi esclarecido se os bens pertenciam a ela, a terceiros ou se estavam vinculados à estrutura financeira da facção.

CONEXÃO INTERNACIONAL – Uma das principais linhas de investigação é a possível participação de Angeliquinha em operações do Comando Vermelho na Bolívia.

Santa Cruz de la Sierra é considerada estratégica pelas autoridades policiais, por sua localização e pelas conexões com rotas internacionais do tráfico de drogas.

O delegado afirmou que a permanência da investigada na cidade pode ter atendido a uma necessidade da organização criminosa de manter uma representante no país vizinho para realizar negociações e movimentar recursos.

“Eu vejo como uma possibilidade grande de haver aí uma necessidade da facção de que ela estivesse lá, realmente para realizar ali as negociações, movimentação de valores e negociações de drogas em prol da facção criminosa”, declarou.

A hipótese, entretanto, ainda depende de comprovação.

Os investigadores pretendem analisar novos elementos para esclarecer qual teria sido a função efetivamente desempenhada por Angéliquinha durante o período em que esteve fora do Brasil.

Segundo a Polícia Civil, ela também é investigada por suposta participação na organização de homicídios, no tráfico de drogas, na lavagem de dinheiro e em atividades relacionadas ao garimpo ilegal, especialmente nas regiões de Alta Floresta e Nova Bandeirantes.

As autoridades atribuem à investigada uma posição de destaque na estrutura do Comando Vermelho no norte de Mato Grosso.

FUGA SOB INVESTIGAÇÃO – Outra frente da apuração procura esclarecer como Angeliquinha conseguiu deixar a penitenciária feminina de Cuiabá e chegar à Bolívia.

O delegado afirmou não acreditar que a fuga tenha ocorrido sem auxílio externo, mas ressaltou que os detalhes permanecem sob sigilo.

A investigação deverá buscar eventuais responsáveis pelo planejamento, apoio logístico e financiamento da saída da detenta do sistema prisional.

Angéliquinha foi capturada em Santa Cruz de la Sierra no dia 22 de setembro, durante uma ação que envolveu troca de informações entre as polícias brasileira e boliviana.

Após a prisão, permaneceu em Mato Grosso do Sul até ser transferida de volta para Cuiabá, na terça-feira (20), sob forte esquema de segurança.

Ela retornou à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, de onde havia fugido, para cumprir penas que, somadas, chegam a 260 anos de prisão.

A Justiça determinou sua permanência inicial por 180 dias em regime disciplinar diferenciado, com restrições mais rigorosas de contato e circulação.

Para a Polícia Civil, a prisão abre uma nova etapa da investigação: reconstruir a rede de apoio que permitiu à integrante da facção permanecer mais de um ano fora do sistema prisional e esclarecer se sua presença na Bolívia estava ligada à expansão das atividades criminosas.

Até agora, não foram divulgados nomes de possíveis financiadores nem provas conclusivas sobre operações comandadas por ela em território boliviano.

Fonte: Diário de Cuiabá

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