Uma pesquisa desenvolvida no câmpus da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) em Alta Floresta pode abrir caminho para uma nova alternativa no combate a uma das principais pragas da agricultura brasileira. Cientistas do Centro de Pesquisa e Tecnologia da Amazônia Meridional (Ceptam) estão trabalhando no desenvolvimento de um inseticida natural produzido a partir de uma árvore nativa da floresta amazônica conhecida popularmente como pente-de-macaco ou escova-de-macaco (Apeiba tibourbou).
O estudo tem como alvo a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), considerada uma das pragas mais prejudiciais para culturas como milho, soja, algodão, arroz e até plantios florestais. O inseto é responsável por prejuízos significativos ao setor produtivo devido à sua capacidade de atacar diferentes espécies vegetais.
Segundo a coordenadora da pesquisa, professora Juliana Garlet, o projeto busca oferecer uma alternativa sustentável aos defensivos convencionais utilizados atualmente no campo.
A proposta consiste em utilizar compostos naturais extraídos das folhas da árvore amazônica, que já demonstraram potencial inseticida em estudos anteriores. O desafio agora é tornar essa solução viável para aplicação em larga escala.
Para isso, a equipe aposta em uma tecnologia conhecida como encapsulamento. O método consiste em envolver os compostos ativos do extrato vegetal em estruturas protetoras capazes de aumentar sua durabilidade e eficiência no ambiente agrícola.

De acordo com os pesquisadores, um dos principais obstáculos dos inseticidas de origem botânica é a rápida degradação causada pela exposição ao sol, calor e oxigênio. Com o encapsulamento, o produto passa a ter maior estabilidade, permitindo uma liberação gradual do princípio ativo e reduzindo a necessidade de aplicações frequentes.
A pesquisa é conduzida no Laboratório de Silvicultura da Unemat e envolve professores, estudantes de graduação e pós-graduação dos cursos de Engenharia Florestal, Agronomia, Biologia e do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Agroecossistemas Amazônicos.
Os testes laboratoriais continuam em andamento e a meta dos pesquisadores é alcançar índices de mortalidade superiores a 80% das lagartas em até 72 horas, desempenho semelhante ao observado em produtos químicos comercializados atualmente.
Antes de chegar ao mercado, a tecnologia ainda passará por novas etapas de validação, incluindo testes em casas de vegetação e experimentos em campo para avaliar a eficiência do produto em condições reais de cultivo.
Além do potencial para reduzir impactos ambientais, o projeto também reforça o papel da pesquisa científica desenvolvida em Alta Floresta na busca por soluções inovadoras para os desafios do agronegócio e da sustentabilidade.





