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Pesquisa no Cristalino estuda camu-camu e potencial de cultivo

Pesquisa no Cristalino estuda camu-camu e potencial de cultivo

Pesquisa científica

Pesquisa no Cristalino estuda camu-camu e potencial de cultivo

Fruta amazônica rica em vitamina C é alvo de estudo da Unesp que busca ampliar a conservação da espécie e criar oportunidades de renda para comunidades locais

Crédito: Marcelo Luiz

Uma pesquisa científica desenvolvida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) está investigando as características genéticas e o potencial de cultivo do camu-camu, fruta nativa da Amazônia encontrada nas margens do rio Cristalino, em Mato Grosso. O estudo é realizado nas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) Cristalino e busca contribuir para a conservação da espécie e o desenvolvimento de alternativas de produção sustentável.

Conhecido também como araçá-d’água ou caçari, o camu-camu (Myrciaria dubia) é reconhecido pela alta concentração de vitamina C. A pesquisa é conduzida no Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Unesp, câmpus de Ilha Solteira, sob coordenação do professor Antonio Flávio Arruda Ferreira e execução do engenheiro agrônomo e mestrando Marcelo da Silva Luiz. Os trabalhos seguem até dezembro de 2027.

O estudo está dividido em duas frentes. A primeira analisa a diversidade genética e as características das populações nativas encontradas na região do Cristalino, no chamado arco do desmatamento. A segunda investiga a germinação das sementes e o desenvolvimento das mudas em condições de terra firme, fora dos ambientes alagados onde a espécie ocorre naturalmente.

Durante uma etapa de campo realizada entre os dias 11 e 14 de outubro, o pesquisador percorreu as margens do rio Cristalino, identificou plantas nativas, registrou suas localizações por GPS e coletou frutos para análises laboratoriais.

Os pesquisadores pretendem verificar o grau de parentesco entre as plantas mapeadas e investigar a possibilidade de que os indivíduos encontrados tenham se originado de uma mesma planta matriz. Os frutos também serão submetidos a análises físicas e químicas para avaliar a concentração de vitamina C e antocianinas, compostos de interesse para setores como as indústrias cosmética e farmacêutica.

Outra etapa prevê testes com sementes e mudas submetidas a diferentes condições de luminosidade e sombreamento. A intenção é avaliar o desenvolvimento da espécie em terra firme e ampliar as possibilidades de cultivo fora das áreas sujeitas a alagamentos.

Além dos resultados científicos, a equipe pretende produzir materiais de orientação e cartilhas com informações sobre plantio e manejo do camu-camu. A expectativa é que o conhecimento gerado possa apoiar iniciativas de conservação, restauração ecológica e cultivo sustentável, com possibilidades de geração de renda para comunidades ribeirinhas, indígenas e agricultores familiares.

A pesquisa conta com a parceria da Fundação Ecológica Cristalino (FEC), que apoia estudos científicos nas reservas. Segundo a consultora em Pesquisa e Gestão das Reservas Cristalino, Mayara Gomes Correa, o trabalho poderá ampliar o conhecimento sobre a diversidade genética da espécie e contribuir para o desenvolvimento de técnicas de produção de mudas.

A iniciativa busca aproximar a pesquisa científica da conservação da biodiversidade amazônica, valorizando uma fruta nativa e suas possibilidades de aproveitamento sustentável.

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