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Pesquisa cria guia inédito para identificação de espécies madeireiras em Mato Grosso

Pesquisa cria guia inédito para identificação de espécies madeireiras em Mato Grosso

Manejo Florestal

Pesquisa cria guia inédito para identificação de espécies madeireiras em Mato Grosso

Projeto desenvolvido por UFRA e UNEMAT, com apoio da SEDEC e do Cipem, já identificou 106 espécies arbóreas e busca fortalecer o manejo florestal sustentável, a fiscalização ambiental e a segurança do setor madeireiro.

Uma pesquisa desenvolvida em Mato Grosso está criando um guia inédito para identificação botânica das espécies madeireiras mais comercializadas no Estado, iniciativa que promete aumentar a segurança técnica do manejo florestal sustentável, facilitar a fiscalização ambiental e fortalecer o setor produtivo.

O projeto “Espécies Arbóreas Mais Comercializadas no Mato Grosso” é realizado pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), com apoio financeiro da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (SEDEC) e idealização do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem).

A pesquisa é coordenada pelas professoras Gracialda Ferreira (UFRA) e Célia Soares (UNEMAT) e reúne mais de 14 profissionais, entre pesquisadoras, engenheiras florestais, estudantes e estagiários. O trabalho ganhou destaque neste 12 de julho, data em que é celebrado o Dia do Engenheiro Florestal.

O objetivo é garantir que a identificação das árvores seja feita com precisão antes do corte dentro dos Planos de Manejo Florestal, reduzindo erros, dando mais segurança aos órgãos de fiscalização e licenciamento e proporcionando maior confiabilidade ao mercado madeireiro.

Segundo a coordenadora Gracialda Ferreira, a enorme diversidade de espécies da Amazônia sempre representou um desafio para o manejo sustentável.

As atividades de campo tiveram início em janeiro de 2024 e já passaram por diversos municípios mato-grossenses. As primeiras campanhas contemplaram Sinop, Santa Carmem, Nova Ubiratã, Alta Floresta, Cotriguaçu, Nova Monte Verde, Juara e Apiacás. Em seguida, os pesquisadores estiveram em Aripuanã e, atualmente, os trabalhos seguem em Rondolândia, Colniza e novamente Aripuanã.

Até maio de 2026, a pesquisa contabilizou 433 árvores amostradas em quatro regiões do Estado. O levantamento identificou 106 espécies, associadas a 84 nomes populares e 93 nomes científicos. Entre elas, pelo menos cinco ainda não possuíam registro oficial de ocorrência em Mato Grosso.

Todo o material coletado passa por análises detalhadas, desde a herborização no Herbário da Amazônia Meridional (HERBAM), em Alta Floresta, até os estudos anatômicos realizados no Laboratório de Taxonomia de Árvores da UFRA, em Belém (PA). Em alguns casos, os laudos produzidos pela equipe permitiram validar espécies ainda não registradas na base nacional Reflora.

Das 106 espécies identificadas, 50 foram selecionadas por representarem as mais comercializadas pelo setor madeireiro mato-grossense e irão compor o guia técnico. Até maio deste ano, 34 espécies já contavam com caracterização morfológica e anatômica completa, e a expectativa é alcançar 40 espécies até o encerramento da primeira etapa do projeto, previsto para 31 de julho.

Para o diretor executivo do Cipem, Valdinei Bento dos Santos, a continuidade da pesquisa é fundamental para consolidar os avanços obtidos. Segundo ele, o projeto representa um investimento estratégico que fortalece o manejo florestal sustentável e gera benefícios para toda a cadeia produtiva.

A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, destacou que o setor de base florestal vem se consolidando como um dos pilares da economia mato-grossense, conciliando geração de emprego, renda e preservação ambiental. Ela ressaltou que o investimento em pesquisa amplia a segurança técnica, fortalece a gestão dos recursos naturais e contribui para a formulação de políticas públicas mais eficientes.

Gracialda Ferreira também enfatizou a importância da parceria entre universidades, setor produtivo e Governo do Estado, afirmando que investir em ciência e identificação botânica significa fortalecer o manejo florestal, promovendo desenvolvimento econômico aliado à conservação ambiental.

O guia técnico em elaboração deverá se tornar uma importante ferramenta para profissionais do setor florestal, pesquisadores, órgãos ambientais e empresas que atuam com manejo sustentável em Mato Grosso.

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