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Servidores de MT pedem atuação do Banco Central contra consignados

Servidores de MT pedem atuação do Banco Central contra consignados

FARRA DOS CONSIGNADOS

Servidores de MT pedem atuação do Banco Central contra consignados

Relatório do Tribunal de Contas e estudo do Procon têm indícios de irregularidades e mostram cláusulas consideradas abusivas

Os representantes do funcionalismo público estadual decidiram notificar o Banco Central do Brasil (Bacen) para que impeça o desconto, em folha de pagamento, e a continuidade das operações de empréstimos, cartão de crédito e cartão de benefício de todos os servidores do Poder Executivo de Mato Grosso, enquanto não se realize uma auditoria independente e que tenha amplitude em todo e qualquer contrato existente na relação comercial.

O pedido dos sindicatos e da Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso (FesspP/MT) – com forte documentação, como o relatório do Procon e analises da Mesa Técnica do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE/MT), que já detectou irregularidades que podem ensejar a nulidade dos contratos consignados – ganharam um impulso ainda maior com a Operação Carbono Oculto, que investiga o uso de fundos de investimentos e fintechs pelo crime organizado.

Em Mato Grosso, a Pix Card Serviços Tecnológicos e Financeiros está credenciada pela Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) para operar Cartão de Benefícios.

Em que pese não se saber se a Pix Card movimentou recursos irregulares ou não, os representantes do funcionalismo público de Mato Grosso assinalam que, diante de tantos apontamentos e da instabilidade do momento, somado ao superendividamento de mais de 60% dos quase 105 mil servidores públicos estaduais, os sindicatos defendem medida extremas.  Reafirma, no entanto, que o funcionalismo público reconhece as dividas contraídas, mas quer pagar o que é justo e honesto.

“A cada dia que passa, novas e mais comprovações demonstram que estamos com razão e que é necessário um esforço hercúleo para se corrigirem todas as distorções que ocorreram por omissão e falha do Poder Executivo, que contestou a constitucionalidade de uma lei e avalizou uma relação comercial entre os servidores e empresa consignatárias que sequer tinha autorização do Banco Central para realizarem operações desta natureza”, disse Antônio Wagner do Sinpaig/MT (Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo).

Além da Pix Card, as empresas apontadas pelos Sindicatos e pela AFG & Taques Advogados Associados, estão citadas na notificação ao Bacen a Meucashcard Serviços Tecnológicos e Financeiros; ClickBank Instituição de Pagamento – CB Digital; Taormina Soluções Financeiras; Bemcartões Benefícios; Neo Crédito; MettaCard Administradora de Cartões; Nio Meios de Pagamento; ABCCard Cartões; VEMCard Participações e MTX Card.

Antônio Wagner lembrou que já se tem formada a convicção de irregularidades, por parte de diversos segmentos, como o Tribunal de Contas, Procon, Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon) e que aguarda ainda as conclusões do Ministério Público de Mato Grosso, mas não é possível se aguardar ou se protelar ainda mais o cenário que caminha para o caos.

“Precisamos zerar essa situação, sem prejudicar ainda mais o servidor público. Por isso, temos que apartar todas as operações financeiras realizadas até o momento, criar novas linhas de crédito, mas com regras rigorosas, e definir um programa que contemple as pendências do passado e as novas operações que por ventura possam vir a existir”, disse Antônio Wagner.

O presidente do Sinpaig/MT acrescentou que o servidor público, hoje, está assustado com seu superendividamento e que este quadro vai exigir um esforço redobrado de todas as partes; “Será necessário um reperfilamento das dívidas, com novos prazos e novos valores”, completou.

Ele confirmou que a Assembleia Geral dos Servidores Públicos aprovou o Estado de Greve, que é um movimento permanente, que assegura aos sindicatos e à federação que promovam ações, a qualquer moment,o sem a necessidade de deliberação dos filiados.

“Não definimos greve, paralisação, e sim uma medida de responsabilização do Poder Executivo, que, ao atuar sem zelo para com as operações consignadas, permitiu que o servidor público se superendividasse, desestabilizando, inclusive, sua capacidade emocional e seu desempenho de produzir um trabalho de melhor qualidade para Mato Grosso e para sua gente”, assinalou Antônio Wagner.

Conforme a representação das entidades, essas empresas vêm atraindo servidores com propostas de saques facilitados, aprovação simplificada, prazos flexiveis e taxas aparentemente reduzidas. Mas, na prática, estariam operando como instituições de crédito clandestinas, sem o devido registro no Sistema de Controle de Registro (SCR) e à margem da supervisão do Bando Central.

Para os sindicatos, essas operações configuram práticas abusivas e podem comprometer a integridade do Sistema Financeiro Nacional. Por isso, solicitam medidas cautelares para suspender, imediatamente, os credenciamentos e lançamentos em folha realizados por empresas que atuam sem autorização da autoridade reguladora.

A lista de irregularidades identificadas contempla:

– não ter autorização obrigatóriado Bacen para atuar no mercado de crédito consignado; vender empréstimos disfarçados de cartões de benefícios (sem transparência);

– promover “telesaques” e saques consignados com juros embutidos lançados diretamente na folha de pagamento;

– não fornecer cópias de contratos nem disponibilizam cartão físico, virtual ou rede credenciada de benefícios;

– deixar de registrar as operações no SCR (Registrato), dificultando o acompanhamento do endividamento dos consumidores;

– criar  publicidade enganosa que induz servidores a erro.

O levantamento realizado pelas entidades representativas do funcionalismo público aponta que cerca de 10 mil servidores públicos podem ter sido impactados pela práticas descritas.

Com o objetivo de resguardar os direitos dos servidores, a representaçãopede ao Bacen a suspensão imediata do credenciamento e o lançamento consignado dessas empresas; notificação ao governo estadual sobre a abertura do processo apuratório; compartilhamento de informações com o MPF e a Refeita Federal para possível investigação de crimes financeiros e sonegação fiscal.

Fonte: Diário de Cuiabá

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