Mato Grosso voltou a enfrentar déficit de vagas no sistema prisional após registrar forte aumento da população carcerária em 2025. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram que o Estado encerrou o ano com 22.636 pessoas privadas de liberdade, crescimento de 13,8% em relação a 2024.
Desse total, 22.557 presos estavam custodiados em unidades do sistema penitenciário estadual e outros 79 permaneciam em carceragens policiais. O avanço elevou a taxa de encarceramento para 581,4 presos por 100 mil habitantes, a 9ª maior do Brasil, mantendo Mato Grosso entre os estados com maior população prisional proporcional do país.
crescimento ocorreu em ritmo superior à expansão da estrutura física das unidades prisionais. Segundo o levantamento, Mato Grosso dispunha de 21.178 vagas, o que resultou em déficit de 1.379 vagas e ocupação média de 1,1 preso por vaga.
O cenário representa uma mudança em relação ao ano anterior. Em 2024, o próprio Anuário apontava que o Estado possuía, formalmente, mais vagas do que pessoas presas, embora parte dessa capacidade estivesse indisponível por questões estruturais, reformas ou restrições operacionais.

A volta do déficit reacende o debate sobre a capacidade do sistema penitenciário para absorver o aumento das prisões sem comprometer as condições de custódia e os programas de ressocialização.
Especialistas apontam que diversos fatores podem explicar o crescimento da população carcerária. Entre eles estão o aumento das prisões decorrentes das operações contra organizações criminosas, o endurecimento das ações de combate ao tráfico de drogas, a manutenção de elevados índices de prisões provisórias e o avanço das facções criminosas no Estado.
O Anuário, entretanto, não detalha quais desses fatores tiveram maior influência sobre o aumento registrado em Mato Grosso.
Outro desafio é garantir que a ampliação do encarceramento seja acompanhada por investimentos em infraestrutura, segurança, assistência à saúde, educação e trabalho dentro das unidades prisionais. Sem essas medidas, alertam especialistas, cresce o risco de agravamento da superlotação e do fortalecimento das organizações criminosas no ambiente carcerário.
O levantamento também reforça que a expansão da população prisional ocorre em um contexto de redução das mortes violentas e dos homicídios no Estado. Para pesquisadores da área, isso demonstra que a política de segurança pública precisa ser analisada de forma ampla, levando em consideração tanto os resultados na repressão ao crime quanto a capacidade do sistema penitenciário de administrar o aumento do encarceramento.





