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Mais de 25 mil crianças são registradas sem o nome do pai em Mato Grosso em cinco anos

Mais de 25 mil crianças são registradas sem o nome do pai em Mato Grosso em cinco anos

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Mais de 25 mil crianças são registradas sem o nome do pai em Mato Grosso em cinco anos

Dados apontam crescimento de 40% e revelam realidade marcada pela ausência paterna no estado

Mais de 25,9 mil crianças foram registradas sem o nome do pai em Mato Grosso nos últimos cinco anos, evidenciando uma realidade persistente no estado. Segundo dados da Associação dos Notários e Registradores (Anoreg/MT), os casos cresceram 40,4% no período, passando de 3.311 registros em 2020 para 4.651 em 2025.

Somente em 2025, quando foi registrado o maior número da série histórica, cerca de 13 crianças por dia foram registradas apenas com o nome da mãe. No total, foram 25.923 registros sem paternidade declarada diante de 344.334 nascimentos no período, o que representa 7,53% dos nascidos vivos no estado.

Na capital Cuiabá, o avanço é ainda mais expressivo. Foram 5.603 registros entre 2020 e 2025, com aumento de 90,3% saltando de 600 para 1.142 casos. Em média, cerca de três crianças por dia são registradas sem o nome do pai, indicando maior concentração do problema em áreas urbanas.

Por trás dos números, estão histórias reais marcadas pela ausência paterna desde o início da vida. A jovem Ana Paula Santos, de 27 anos, moradora de Cuiabá, é mãe de Davi, de 2 anos, registrado apenas com o nome dela em 2024. Segundo ela, o pai da criança se afastou ainda durante a gestação e não participou de nenhuma etapa do pré-natal.

“Quando descobri a gravidez, ele até disse que ia assumir, mas depois sumiu. Não ajudou em nada, nem durante a gravidez, nem depois que o Davi nasceu”, relatou.

Sem o reconhecimento paterno, Ana Paula assumiu sozinha todas as despesas e responsabilidades. “É tudo comigo. Escola, médico, comida, roupa. A gente dá conta porque precisa, mas não é fácil”, afirmou.

Situação semelhante vive Juliana Ferreira, de 31 anos, moradora de Várzea Grande. Mãe de uma menina de 1 ano, ela também registrou a filha sem o nome do pai após o fim do relacionamento ainda na gestação.

“Ele acompanhou no começo, mas depois que a gente se separou, desapareceu. Quando fui registrar, já sabia que seria só no meu nome”, contou. Segundo ela, houve tentativas de contato para o reconhecimento, mas sem sucesso. O caso agora segue na Justiça.

Já Thaylla Amaral Silva, de 33 anos, enfrentou uma longa batalha para garantir o reconhecimento da filha, hoje com 14 anos. A paternidade só foi oficializada após oito anos, com a realização de exame de DNA.

“Não era só um nome no papel. Era sobre identidade, dignidade. Minha filha merecia isso”, destacou. Segundo ela, apesar da demora, a luta valeu a pena. “É um direito da criança”.

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